
O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo nesta quarta-feira (23) após a Polícia Federal revelar um esquema de desvio de dinheiro que pode ter tirado mais de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas. A fraude acontecia por meio de descontos associativos não autorizados diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.
Batizada de Operação Sem Desconto, a ação cumpre mais de 200 mandados de busca, apreensão e bloqueio de bens em 13 estados e no Distrito Federal. Seis servidores foram afastados por suspeita de participação, entre eles Stefanutto e o procurador-geral do órgão, Virgílio Antônio Oliveira Filho.
Segundo a investigação, o golpe era aplicado por meio de convênios firmados entre o INSS e entidades que ofereciam supostos serviços aos segurados — como assistência jurídica e descontos em farmácias. As mensalidades, no entanto, estavam sendo descontadas mesmo sem a autorização dos beneficiários.
A auditoria interna do INSS confirmou o problema no fim do ano passado, apontando que mais da metade dos descontos analisados não tinham documentos que comprovassem a autorização dos segurados. Em alguns casos, foram usadas assinaturas falsas ou até mesmo nomes de pessoas que não sabiam da contratação.
Os valores desviados cresceram rapidamente: as receitas dessas associações saltaram de R$ 85 milhões para R$ 250 milhões por mês em apenas um ano. Entre janeiro de 2023 e novembro de 2024, foram pelo menos R$ 45 milhões em descontos indevidos.
As investigações indicam que o esquema vem acontecendo desde 2019, quando o INSS era comandado por Renato Rodrigues Vieira, nomeado ainda no governo Bolsonaro. Depois dele, outros presidentes assumiram, mas ainda não se sabe se também estão sendo investigados.
Os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram carros de luxo, relógios caros, dinheiro em espécie e documentos apreendidos durante a operação.
Mais detalhes serão divulgados ainda hoje, às 11h, em entrevista coletiva com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ao lado da CGU e da direção da Polícia Federal.
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