O novo Censo Demográfico do IBGE confirmou uma realidade que já era percebida por muitas famílias brasileiras: as mulheres estão tendo menos filhos e decidindo ser mães mais tarde. Em 2022, a média nacional foi de 1,55 filho por mulher, número bem abaixo da chamada taxa de reposição populacional, que é de 2,1 filhos por mulher — necessária para manter a população do país estável.
Esse movimento não é novo. Na década de 1960, cada mulher brasileira tinha, em média, mais de 6 filhos. Desde então, a taxa vem caindo de forma constante.
Além disso, a idade média para ter o primeiro filho aumentou: em 2000 era de 26 anos, e agora subiu para 28,1 anos. No Distrito Federal, por exemplo, essa média já chegou aos 29,3 anos. Especialistas explicam que fatores como escolaridade, vida profissional, planejamento familiar e acesso a métodos contraceptivos contribuem para esse cenário.
A diminuição na taxa de fecundidade é vista em todas as regiões:
Sudeste tem a menor taxa (1,41 filhos por mulher).
Norte registra a maior média (1,89), mas ainda abaixo do necessário para reposição.
Apenas Roraima mantém taxa acima da média (2,19 filhos por mulher).
O estudo mostrou que a quantidade de filhos varia conforme religião, raça e escolaridade:
Mulheres espíritas e de umbanda/candomblé têm as menores taxas.
Evangélicas registram a maior (1,74 filhos por mulher).
Mulheres indígenas ainda têm média acima da reposição (2,8 filhos).
Quanto maior o nível de escolaridade, menor é o número de filhos:
Sem instrução: 2,01 filhos
Ensino superior completo: 1,19 filhos
Outro dado que chama atenção é o crescimento do número de mulheres que encerram a fase fértil sem ter filhos. Em 2000, esse percentual era de 10%. Agora, subiu para 16,1%.
Segundo especialistas, essa mudança demográfica afeta diretamente o futuro da população brasileira, com impacto no mercado de trabalho, previdência e serviços públicos. O país caminha para um perfil populacional mais envelhecido e com menor crescimento nos próximos anos.