
O mês de junho de 2025 terminou com um cenário climático atípico no Paraná: muito frio e chuva acima do esperado em quase todas as regiões do estado. De acordo com o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), praticamente todas as estações meteorológicas registraram temperaturas médias abaixo da média histórica e chuvas acima do normal para o mês.
No Noroeste, a cidade de Umuarama teve destaque ao registrar uma média 4,3°C abaixo do esperado — a maior diferença negativa desde que a estação foi instalada, em 2023. O mesmo ocorreu em Candói e Santa Maria do Oeste, onde as médias também foram as mais baixas desde o início dos registros locais.
As tardes de junho também foram mais geladas que o habitual. Em cidades próximas a Cianorte, por exemplo, as temperaturas máximas ficaram cerca de 2,8°C abaixo da média. Apenas a região de Cândido de Abreu registrou mínimas levemente acima do padrão.
A menor temperatura do ano até agora foi registrada em General Carneiro, com -7,8°C no dia 25 de junho. A marca se aproximou do recorde absoluto no estado, que é de -7,9°C (em julho de 2021), também na mesma cidade.
Segundo o meteorologista Leonardo Furlan, do Simepar, o frio intenso foi provocado por uma frente fria continental, impulsionada por um ciclone na altura do Uruguai. "Foi uma configuração favorável ao avanço rápido do ar frio, provocando mínimas negativas em muitas cidades. Um cenário que não víamos há alguns anos", afirmou.
Junho também foi marcado por volumes históricos de chuva. Em São Miguel do Iguaçu, no Oeste, o acumulado foi de impressionantes 387,4 mm, contra a média de 109,5 mm — um recorde desde o início das medições, em 1997.
Em Capanema, foram 350,8 mm, superando em muito a média de 102,5 mm. Em Cruzeiro do Iguaçu, o volume foi ainda mais extremo: 543,4 mm, enquanto a média para o mês é de 136,4 mm. Até Foz do Iguaçu, onde costuma chover menos, registrou 358 mm, contra uma média de 86,1 mm.
A única cidade que ficou abaixo da média foi Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, com 43,6 mm, pouco menos do que os habituais 60,3 mm.
As chuvas frequentes ocorreram por conta da atuação constante de frentes frias e áreas de baixa pressão vindas do Paraguai e do Sul do Brasil. Isso fez com que até mesmo as regiões Norte e Noroeste, que costumam ser mais secas em junho, fossem atingidas por precipitações intensas.
A previsão para julho, no entanto, é de um cenário diferente: o mês deve ser seco, com chuvas abaixo da média, segundo o Simepar.
Mín. 21° Máx. 36°