
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou, nesta quinta-feira (24), o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que traz um raio-x da violência letal no Brasil com dados referentes ao ano de 2024.
Segundo o levantamento, o país registrou 44.127 mortes violentas intencionais (MVIs) no ano passado, com taxa de 20,8 por 100 mil habitantes — uma redução de 5,4% em relação a 2023. Trata-se do menor índice desde 2012.
Apesar da queda nacional, os estados do Norte e Nordeste seguem liderando os índices de violência. O Amapá é o mais violento, com 45,1 mortes por 100 mil habitantes, seguido por:
Amapá – 45,1
Bahia – 40,6
Ceará – 37,5
Pernambuco – 36,2
Alagoas – 35,4
Maranhão – 27,8
Mato Grosso – 27,0
Pará – 25,8
Amazonas – 23,7
Rondônia – 21,7
No recorte municipal, as dez cidades mais violentas do Brasil em 2024 estão todas na Região Nordeste, com taxas de homicídios superiores a 65 por 100 mil habitantes. O município mais violento foi Maranguape (CE).
Maranguape (CE) – 79,9
Jequié (BA) – 77,6
Juazeiro (BA) – 76,2
Camaçari (BA) – 74,8
Cabo de Santo Agostinho (PE) – 73,3
São Lourenço da Mata (PE) – 73,0
Simões Filho (BA) – 71,4
Caucaia (CE) – 68,7
Maracanaú (CE) – 68,5
Feira de Santana (BA) – 65,2
A disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas é apontada como um dos principais fatores para esses índices alarmantes.
Apesar da queda nas mortes violentas gerais, os crimes contra mulheres e crianças registraram aumento preocupante:
Feminicídios: 1.492 casos em 2024 (maior número desde 2015)
63,6% das vítimas eram negras
64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa
Mortes violentas de crianças e adolescentes (0 a 17 anos): 2.356 registros (+3,7%)
Crescimento de outros crimes:
+14,1% na produção de material de abuso sexual infantil
+9,4% em casos de abandono de incapaz
+8,1% em maus-tratos
+7,8% em agressões decorrentes de violência doméstica
Os crimes digitais também se destacaram no Anuário:
Estelionato geral: +7,8%
Estelionato por meios eletrônicos: +17%
Mais de 2,2 milhões de casos registrados – equivalente a 4 golpes por minuto.
Desde 2018, esse tipo de crime cresceu 408%, impulsionado pela popularização dos smartphones e pela baixa capacidade de punição dos autores.
O relatório também revelou aumento nos casos de desaparecimentos, que chegaram a 81.873 registros em 2024, uma alta de 4,9% em relação ao ano anterior.
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