O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma Ordem Executiva que classifica o Brasil como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional americana — uma designação geralmente reservada a países hostis, como Cuba, Venezuela e Irã.
Com a decisão, os produtos brasileiros passam a enfrentar uma tarifa total de 50%, após a imposição de um adicional de 40% sobre o que já era tarifado. A medida foi tomada sob o argumento de que as ações recentes do governo brasileiro violam direitos humanos, prejudicam a economia americana e comprometem a política externa dos EUA.
“O presidente Donald J. Trump assinou uma Ordem Executiva implementando uma tarifa adicional de 40% sobre o Brasil [...] para lidar com políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro”, diz nota oficial da Casa Branca, que acusa o Brasil de censura, perseguição e processos políticos contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores.
A decisão de Trump ecoa a narrativa do ex-presidente Bolsonaro, que se diz perseguido por responder a processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
A ordem foi emitida com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada em contextos de “emergência nacional”. No comunicado, a Casa Branca afirma que o governo de Lula teria comprometido o Estado de Direito e que suas políticas são “imprudentes” e “danosas para empresas e liberdades fundamentais”.
A decisão intensifica o clima de tensão diplomática entre os dois países e deve ter repercussões econômicas, especialmente para setores exportadores brasileiros, como o agronegócio e a indústria de base.