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Tarifaço dos EUA pode afetar 36% das exportações brasileiras, alerta Alckmin
Vice-presidente alerta que setores do agronegócio e da indústria serão fortemente impactados com a medida norte-americana
01/08/2025 09h52 Atualizada há 9 meses
Por: Admin

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (31) que 35,9% das exportações brasileiras correm risco de serem impactadas pelas novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. A medida, que impõe um tarifaço de 50%, afeta diretamente setores estratégicos do agronegócio e da indústria nacional.

Alckmin explicou, durante participação no programa Mais Você, da TV Globo, que mesmo com a exclusão de cerca de 700 produtos da lista, os impactos ainda são significativos. Produtos como café, frutas e carnes foram mantidos na relação e serão sobretaxados.

“Vamos defender os 35% das exportações que foram afetadas. Vamos nos debruçar nesses setores e preservar empregos”, afirmou o ministro.

Negociação e plano emergencial

As tarifas seriam aplicadas a partir de 1º de agosto, mas foram adiadas para o dia 6, após pressão diplomática e técnica do governo brasileiro. Os EUA também divulgaram a lista de exceções, que inclui produtos como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves civis, celulose, energia e metais preciosos.

Apesar disso, Alckmin reconhece que alguns setores seguem extremamente vulneráveis:

“Há setores que exportam metade da produção e 70% vai para os EUA. Esses serão fortemente atingidos.”

O governo brasileiro já trabalha com um plano de ação “praticamente pronto”, que ainda será validado pelo presidente Lula. Entre as medidas estão apoio financeiro, tributário e creditício aos setores prejudicados. Alckmin também falou em buscar novos mercados e pressionar por inclusão de mais produtos na lista de isenções — como manga e carne bovina, que não foram contemplados.

Acordos internacionais e soberania

Alckmin reforçou o compromisso do governo em ampliar parcerias comerciais, destacando que o Brasil já abriu 398 novos mercados e fechou acordos com Singapura, além de um acordo iminente com a União Europeia e países da EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein).

Em tom crítico à postura dos EUA, o vice-presidente também abordou o tema da soberania nacional:

“Não é possível um poder interferir em outro. Se a Suprema Corte americana processasse um ex-presidente, o Brasil não retaliaria com tarifas. Isso fere a democracia e o estado de direito.”

O governo brasileiro continua dialogando com autoridades norte-americanas e representantes de grandes empresas de tecnologia (big techs) para tentar reverter os efeitos do tarifaço e evitar danos à economia e ao emprego no país.