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O fim da “fase mais feliz”? Juventude vive onda global de infelicidade, aponta pesquisa
Pesquisadores observam que felicidade cresce com a idade e atinge níveis mais baixos na juventude
05/11/2025 14h24
Por: Admin Fonte: Mega Curioso

Um estudo internacional liderado pelo economista David Blanchflower, da Universidade de Dartmouth (EUA), revelou uma mudança preocupante no bem-estar emocional das novas gerações.

Segundo os pesquisadores, os jovens adultos estão se tornando o grupo etário mais infeliz da sociedade — um cenário que se inverteu em relação a décadas anteriores.

Durante anos, acreditava-se que a juventude era o período mais feliz e promissor da vida. Pesquisas anteriores apontavam que o nível de felicidade seguia um formato de “U”: alto na infância, caía na meia-idade e voltava a subir após os 50 anos. No entanto, de acordo com o novo levantamento, essa curva foi rompida.

“O que observamos agora é o oposto. A felicidade aumenta com a idade, enquanto a juventude se tornou a fase mais infeliz”, afirmou Blanchflower.

Segundo ele, essa transformação começou por volta de 2017 e tem sido registrada em dezenas de países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

O estudo destaca que a queda no bem-estar juvenil é global e afeta principalmente as mulheres. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma em cada nove jovens relata enfrentar diariamente problemas de saúde mental. Entre os homens, o número é de um a cada 14.

O aumento de casos de automutilação, internações psiquiátricas e tentativas de suicídio entre jovens também tem chamado a atenção dos especialistas.

Blanchflower, que há anos estuda o tema, afirmou que essa é a primeira vez que a curva de felicidade se apresenta de forma tão linear, com baixos índices entre os mais jovens e melhora gradual conforme o avanço da idade. “É algo que nunca havíamos visto antes.

E o mais preocupante é que não sabemos exatamente o que causou essa mudança”, destacou.

Os pesquisadores descartam explicações simples, como os efeitos da pandemia ou o mercado de trabalho. Segundo o economista, “o fenômeno começou por volta de 2014 e parece estar ligado a fatores globais que impactam desproporcionalmente os jovens, especialmente as mulheres”.

A pesquisa acende um alerta para governos e instituições sobre a importância de políticas públicas voltadas à saúde mental e ao bem-estar das novas gerações — um desafio crescente em um mundo cada vez mais conectado, mas emocionalmente fragilizado.