
A Justiça determinou nesta quinta-feira (7) o afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), em decisão tomada após um pedido da Polícia Federal (PF). O gestor é um dos investigados na segunda fase da operação Copia e Cola, que apura supostas irregularidades em contratos emergenciais firmados na área da saúde pública em São Paulo.
Segundo informações apuradas, a investigação aponta que a Prefeitura de Sorocaba contratou, de forma emergencial, uma organização social sem fins lucrativos que é suspeita de desviar recursos públicos.
Nesta nova fase da operação, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). Também foram determinadas medidas cautelares, como suspensão de funções públicas, bloqueio de bens e proibição de contato entre os investigados. O valor total dos bens sequestrados chega a aproximadamente R$ 6,5 milhões.
Foram presos o empresário Marco Mott — amigo próximo do prefeito e apontado como intermediário no suposto pagamento de propina — e uma segunda pessoa cujo nome não foi revelado. Manga, no entanto, não era alvo de mandado de prisão.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação ilegal e organização criminosa.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Rodrigo Manga, que está em Brasília, relacionou o afastamento à sua atuação política. “Os caras tentam tirar do jogo qualquer um que ameaça a candidatura deles. Eu não vou desistir de Sorocaba, não vou desistir do Brasil. Deus não falha”, afirmou.
Em nota, a defesa de Manga classificou a investigação como “nula e ilegal”, alegando perseguição política e ausência de provas que vinculem o prefeito ao inquérito. O documento é assinado por seis advogados, incluindo Daniel Bialski, e afirma que “é temerário o afastamento baseado em ilações sobre supostas irregularidades”.
A Prefeitura de Sorocaba confirmou que o vice-prefeito Fernando Martins da Costa Neto assumiu o comando do Executivo municipal até que o caso seja esclarecido, garantindo a continuidade dos serviços públicos.
Esta é a segunda vez que Rodrigo Manga é alvo da operação Copia e Cola. A primeira fase ocorreu em abril deste ano, quando a PF realizou buscas na casa do prefeito, na sede da prefeitura e na Secretaria de Saúde do município. Na ocasião, também houve diligências no diretório municipal do Republicanos.
Ao todo, já são três investigações envolvendo o prefeito. As apurações anteriores tratam de suspeitas de desvios em contratos da saúde e em compras de kits de robótica. A investigação atual teve início em 2022, quando a PF identificou indícios de lavagem de dinheiro por meio de pagamentos em espécie, boletos e transações imobiliárias.
Conhecido nas redes sociais como o “prefeito tiktoker”, Rodrigo Manga ganhou notoriedade nacional com vídeos descontraídos e de grande alcance digital — são mais de 3 milhões de seguidores no Instagram e no TikTok.
Ele foi reeleito em 2024 com 73,75% dos votos, vencendo ainda no primeiro turno. Alinhado à direita e ao Republicanos, o prefeito é considerado um possível nome para disputar o governo de São Paulo caso o atual governador Tarcísio de Freitas deixe o cargo para concorrer à Presidência em 2026.
A defesa do prefeito afirma que confia no restabelecimento da verdade e que todas as medidas judiciais estão sendo tomadas para reverter o afastamento.
Mín. 20° Máx. 33°
