Geral Acidentes no Paraná
Paraná registra salto nas mortes em colisões com motoristas sob efeito de álcool
Levantamento mostra que, apesar da queda no número de acidentes, colisões com condutores embriagados estão mais severas.
17/11/2025 14h52
Por: Admin Fonte: Nosso Dia

Um levantamento divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelou um dado alarmante: entre janeiro e outubro deste ano, as mortes em acidentes envolvendo ao menos um condutor alcoolizado cresceram mais de 70% nas rodovias federais do Paraná. No ano passado, 37 pessoas morreram nessas circunstâncias; em 2025, o número saltou para 63 — considerando apenas óbitos no local do sinistro.

Apesar do aumento expressivo no número de vítimas fatais, o relatório aponta que a quantidade total de acidentes e de feridos diminuiu. Em 2024, foram registrados 587 acidentes desse tipo, contra 559 neste ano. Já o número de pessoas feridas caiu de 532 para 482. Segundo a PRF, isso indica que os acidentes têm ocorrido com maior gravidade, não necessariamente com mais motoristas dirigindo alcoolizados.

A corporação destaca que essas tragédias geralmente são resultado de uma combinação de fatores, como excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e conversões proibidas. A presença de álcool, porém, agrava drasticamente o cenário, já que reduz reflexos, compromete a percepção do ambiente e aumenta a probabilidade de o condutor trafegar em velocidade incompatível com a via.

O estudo também mostrou que mais de 70% das mortes aconteceram aos sábados e domingos — períodos em que a PRF reforça a fiscalização com equipes ampliadas e convocação de policiais do setor administrativo para ações nas rodovias.

A PRF mantém um trabalho intenso no combate à embriaguez ao volante. Em 2025, mais de 210 mil testes de bafômetro foram aplicados no estado. Como resultado, mais de 3.700 motoristas foram autuados por dirigirem alcoolizados ou se recusarem a fazer o teste. Desses, 244 acabaram enquadrados no crime previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro e foram encaminhados à Justiça.

O superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira, reforça que o problema não será resolvido apenas com fiscalização:
“Não basta que as instituições policiais ampliem seus esforços. É essencial que a sociedade exerça um papel ativo, condenando moralmente atitudes de quem insiste em beber e dirigir. Muitas vezes, motoristas alcoolizados calculam o risco de serem parados e contam com a tolerância de pessoas próximas. O rigor da lei é apenas o primeiro passo — a mudança de comportamento precisa vir antes que uma nova tragédia aconteça.”

Atualmente, dirigir sob efeito de álcool é infração gravíssima, com multa de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH por 12 meses. Quando o teste aponta 0,3 mg/L ou mais de álcool no ar alveolar — ou quando a alteração psicomotora é constatada — o condutor comete crime de trânsito, podendo ser detido por seis meses a três anos, além de perder o direito de dirigir.