As discussões que encerram a COP30, em Belém, foram reagendadas para às 10h deste sábado (22). Apesar da expectativa de avanço, até por volta das 5h não houve publicação de novas versões dos rascunhos que compõem o texto final da conferência.
A previsão inicial era de que o encontro terminasse na sexta-feira (21), mas atrasos são frequentes nas conferências do clima. Segundo comunicado divulgado pela presidência da COP30 à 1h40, as conversas e consultas entre as delegações seguiram pela madrugada em busca de consenso.
Os negociadores ainda tentam superar divergências que impedem o fechamento do documento. Como ocorre em todas as COPs, o pacto só é aprovado quando todos os mais de 190 países participantes concordam integralmente com o texto.
Governos e especialistas buscam acordos para enfrentar a crise climática, incluindo financiamento para adaptação às mudanças já em curso e medidas para cortar emissões de gases de efeito estufa.
O rascunho divulgado na sexta-feira foi amplamente criticado, considerado insuficiente e com falhas significativas, segundo organizações e especialistas.
A versão apresentada não mencionava combustíveis fósseis, principal causa do aquecimento global — ponto que se tornou um dos temas mais sensíveis da conferência.
Países pressionam por um “mapa do caminho” para a eliminação gradual do petróleo, gás natural e carvão, mesmo que o assunto não esteja formalmente previsto na agenda inicial da COP30.
Outro entrave é a definição de como financiar a adaptação climática, ainda sem acordo sobre valores, fontes e regras para apoiar as nações mais vulneráveis.
O clima de tensão cresceu após a União Europeia afirmar que pode vetar o texto final caso ele não seja endurecido. Durante uma reunião fechada, o comissário europeu de Clima, Wopke Hoekstra, criticou duramente o rascunho mais recente, dizendo que ele “não traz respaldo científico, não aponta transição e demonstra fragilidade”.
Hoekstra foi direto:
“Em nenhuma circunstância aceitaremos isso. Nada que se aproxime do que está na mesa agora.”
Paralelamente, entidades que acompanham as negociações afirmam que a UE também mostra resistência em ampliar recursos destinados ao combate às mudanças climáticas, o que tem travado avanços em outra frente.
No sentido oposto, um grupo conhecido como LMDC (Like-Minded Developing Countries) atua para impedir qualquer menção aos combustíveis fósseis no texto final. A articulação é liderada por Arábia Saudita e Índia, com apoio silencioso da China. Também integram o bloco: Argélia, Egito, Indonésia, Irã, Malásia, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka, Sudão, Síria, Vietnã, Cuba e Bangladesh.
Segundo dados preliminares do Ministério do Turismo e da Polícia Federal, a COP30 recebeu mais de 42 mil participantes de 195 países apenas na Blue Zone entre 10 e 20 de novembro. O governo federal afirma que esta foi a segunda maior edição da história, menor apenas que a conferência realizada em Dubai.
Entre as definições já anunciadas, ficou estabelecido que:
Turquia sediará a COP31, em 2026;
Etiópia receberá a COP32, em 2027.