Saúde Implanon NXT
SUS do Paraná passa a ofertar implante de etonogestrel com eficácia de três anos
Capacitação de profissionais e distribuição inicial de 25 mil unidades marcam nova etapa no planejamento reprodutivo.
26/11/2025 14h38
Por: Admin Fonte: Governo do Paraná

A saúde pública paranaense avança no planejamento reprodutivo com a inclusão do implante subdérmico de etonogestrel no Sistema Único de Saúde (SUS). O dispositivo, conhecido comercialmente como Implanon NXT, custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil na rede privada, mas agora passa a ser distribuído gratuitamente, ampliando o acesso de adolescentes e mulheres a um método contraceptivo moderno e altamente eficaz.

Para garantir o uso seguro da tecnologia, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em parceria com o Ministério da Saúde, promoveu nesta terça-feira (25) uma capacitação para profissionais de 38 municípios referência das 22 Regionais de Saúde.

O implante é um contraceptivo reversível de longa duração (LARC), com proteção de até três anos e rápida recuperação da fertilidade após a remoção. Considerado um dos métodos mais eficazes disponíveis, ele reduz falhas associadas ao uso incorreto de anticoncepcionais diários ou mensais. A oferta gratuita foi regulamentada pelas Portarias MS nº 47 e 48, publicadas em julho de 2025, com previsão de entrega de 500 mil unidades neste ano e expansão para 1,8 milhão até 2026.

A ampliação do acesso ao método busca enfrentar a alta taxa de gestações não planejadas no país. De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil II (2021–2023), de 33% a 40% das gestantes entrevistadas não tinham intenção de engravidar. Em 2022, adolescentes de até 19 anos representaram 12,3% dos nascimentos registrados no Brasil.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, destacou que a iniciativa reforça o compromisso do Estado com os direitos sexuais e reprodutivos. “Ao ampliar o acesso ao implante, estamos oferecendo mais autonomia e segurança às mulheres paranaenses. É um método moderno e confiável, e estamos preparando nossas equipes para atender com qualidade. Investir em planejamento reprodutivo é investir em dignidade e no futuro”, afirmou.

O dispositivo passa a integrar o conjunto de métodos já disponíveis no SUS, como DIU de cobre, pílulas hormonais, injetáveis, preservativos, vasectomia e laqueadura. Ele será ofertado a adolescentes e mulheres em idade fértil conforme critérios definidos pelo Ministério da Saúde.

Capacitação e organização dos serviços

A oficina de qualificação reuniu cerca de 150 profissionais, entre médicos, enfermeiros, gestores, representantes do Coren/PR e do Cosems/PR. Durante o encontro, foram distribuídos materiais de apoio, como cartilhas, aplicadores e modelos anatômicos para treinos práticos de inserção e retirada do dispositivo. As equipes também discutiram fluxos de atendimento, planejamento da oferta e estratégias para ampliar o acesso ao método.

Para a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, a capacitação é fundamental para garantir equidade no atendimento. “A organização dos serviços e a qualificação das equipes permitem que esse método chegue às mulheres que mais precisam. Isso fortalece o cuidado, diminui desigualdades e amplia os direitos reprodutivos”, destacou.

Representando o Ministério da Saúde, a enfermeira e consultora Camila Farias reforçou que ampliar a oferta de métodos contraceptivos é uma estratégia nacional. Segundo ela, o implante de etonogestrel é atualmente o método reversível de longa duração mais seguro disponível. “Nosso compromisso é ampliar o acesso, oferecer informação clara e garantir autonomia para que cada mulher escolha a melhor opção para sua vida reprodutiva”, afirmou.

Distribuição no Paraná

O Estado recebeu 25.620 unidades do implante, que foram repassadas integralmente aos municípios. Nesta primeira etapa, 38 cidades com mais de 50 mil habitantes foram contempladas, seguindo diretrizes federais. A expectativa é que, no próximo semestre, todas as 22 Regionais de Saúde tenham o método disponível, ampliando o acesso em todo o território paranaense.

A chefe da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher, Carolina Poliquesi, destacou que o Paraná já estrutura as próximas fases da implantação. As Regionais e os municípios definirão as equipes responsáveis e organizarão os fluxos para expandir gradualmente a oferta.

“A chegada do implante ao SUS representa mais autonomia e mais direitos para as mulheres, especialmente para aquelas que não podem utilizar outros métodos contraceptivos. É um avanço no acolhimento e no fortalecimento das consultas de planejamento sexual e reprodutivo”, afirmou.

Entre os 38 municípios contemplados na primeira fase estão: Almirante Tamandaré, Apucarana, Arapongas, Araucária, Cambé, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Mourão, Cascavel, Castro, Cianorte, Colombo, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ibiporã, Irati, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Medianeira, Palmas, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Pinhais, Piraquara, Ponta Grossa, Prudentópolis, Rolândia, São José dos Pinhais, Sarandi, Telêmaco Borba, Toledo, Umuarama e União da Vitória.