A médica Juliana Brasil Santos, de 33 anos, confessou à Polícia Civil do Amazonas que cometeu um erro na prescrição que resultou na morte do pequeno Benício Xavier de Freitas, de 6 anos. A informação consta em um relatório enviado pelo Hospital Santa Júlia à polícia, segundo divulgou a Rede Amazônica, do g1. Embora o Ministério Público tenha solicitado sua prisão preventiva por homicídio qualificado, Juliana recebeu habeas corpus e irá responder ao processo em liberdade.
O caso aconteceu no dia 22 de novembro, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Benício morreu após receber uma dose excessiva de adrenalina administrada por via intravenosa, procedimento que não era recomendado para seu quadro. No relatório, a médica reconhece que deveria ter prescrito a medicação por via oral e afirma ter comentado isso com a mãe da criança, demonstrando surpresa por a equipe de enfermagem não ter questionado a prescrição.
Benício procurou atendimento com tosse seca e suspeita de laringite. A família relatou que, além do soro e de um xarope, a médica prescreveu três doses de 3 ml de adrenalina intravenosa, aplicadas a cada 30 minutos — algo que preocupou imediatamente o pai, Bruno Freitas, que questionou a conduta. Mesmo assim, a médica manteve a orientação.
Após a primeira aplicação, o menino apresentou piora grave: palidez, extremidades arroxeadas e sucessivas paradas cardíacas — seis ao total. Benício não resistiu e morreu na madrugada do dia 23.
O hospital afastou a médica e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação do medicamento. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) abriu um processo ético para analisar a atuação dos profissionais envolvidos.
Além do relatório, prints de conversas no WhatsApp — confirmados pela Polícia Civil — mostram Juliana pedindo orientação a outro médico, Enryko Garcia de Carvalho Queiroz, logo após o menino passar mal. Na mensagem, ela escreve:
"Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo endovenosa. Paciente tá passando mal... Eu errei a prescrição."
A médica relata ainda que Benício havia desmaiado e que não estava respirando, demonstrando desespero.
Segundo a mãe, Joyce Xavier, durante o atendimento, Juliana permaneceu no celular, parecendo buscar ajuda externa. O pai também afirmou que não sentiu segurança na conduta da profissional e se disse indignado.
Na segunda-feira, familiares, amigos e colegas de trabalho do pai de Benício fizeram uma manifestação em frente ao CRM-AM, pedindo justiça e punição pelos erros cometidos. Com camisetas e faixas com a frase “Justiça por Benício, a dor da família é nossa também”, os pais pediram medidas efetivas e não apenas ações formais.
“Nosso coração está sangrando. Queremos respostas, queremos consequências reais. A morte do nosso filho não pode ser tratada como uma falha protocolar”, disse o pai, emocionado.
Joyce também afirmou que houve tentativa de transferência de responsabilidade entre a médica, a equipe de enfermagem e o próprio sistema do hospital.