O Paraná registrou um aumento significativo nos acidentes com escorpiões em 2025. De janeiro a novembro, foram contabilizados 6.998 casos e três mortes provocadas pelo veneno do animal. As vítimas fatais — duas crianças e um adolescente — eram dos municípios de Cambará e Jacarezinho, na região Norte Pioneiro.
Diante do avanço dos registros, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) ampliou as ações de controle e conscientização, com foco especial no escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie mais perigosa encontrada no Paraná. Esse escorpião, que passou a ocupar áreas urbanas desde a década de 1980, encontra ambiente favorável em locais com lixo, entulho e presença de insetos, principalmente baratas.
Como parte das estratégias preventivas, a Sesa iniciou a distribuição de 300 mil folders informativos nas regiões com maior risco, especialmente no Norte Pioneiro, Norte e Noroeste. Alguns municípios chamam atenção pelo alto índice de ocorrências, como Jardim Olinda, que registra 141,5 casos para cada 10 mil habitantes. Paranapoema, Santa Amélia, São João do Caiuá e Inajá também aparecem entre as cidades com maior incidência.
Além do material impresso, a campanha inclui vídeos e áudios transmitidos em emissoras de TV, rádios locais e nas redes sociais da Secretaria. Segundo o secretário Beto Preto, a proposta é reforçar os cuidados necessários para evitar a presença do animal.
“O risco que o escorpião representa é enorme, mas medidas simples ajudam a impedir que ele se torne uma ameaça, especialmente para as crianças”, destacou.
O trabalho de vigilância segue intenso. Mais de 22 mil escorpiões foram capturados e enviados ao LABTAX, laboratório responsável pela identificação das espécies. Esses dados auxiliam no mapeamento regional e na definição de estratégias de prevenção, além de orientar a distribuição de soro antiescorpiônico.
As regionais com maior número de capturas em 2025 foram:
13ª Regional de Cianorte: 6.363 escorpiões enviados
19ª Regional de Jacarezinho: 6.138
17ª Regional de Londrina: 4.363
Na 19ª Regional, somente entre agosto e outubro, cerca de 5 mil escorpiões foram recolhidos.
Para agilizar o socorro em casos graves, a Sesa descentralizou a distribuição do soro antiescorpiônico, seguindo orientação do CIATox e das equipes médicas. Em caso de picada, a recomendação é procurar atendimento imediatamente e, se possível, levar o animal ou uma foto para identificação.
As autoridades reforçam que medidas simples podem reduzir o risco de acidentes:
manter quintais limpos;
evitar entulhos e acúmulos de materiais;
vedar ralos e frestas;
conferir roupas e calçados antes de usar;
eliminar insetos que servem de alimento aos escorpiões.
O uso de inseticidas comuns não é indicado, pois não elimina o animal e pode deixá-lo mais agressivo.
Com municípios apresentando índices cada vez mais elevados, o alerta é claro: o enfrentamento ao avanço dos escorpiões exige vigilância constante, participação da população e ações contínuas do poder público para evitar novos acidentes e salvar vidas.