Saúde COMBATE AO AEDES
Governo libera milhares de mosquitos estéreis para frear avanço da dengue
Estratégia começa em Pernambuco e prevê liberações semanais
15/12/2025 07h18
Por: Admin Fonte: Nosso Dia

O Ministério da Saúde deu início a uma ação inédita de controle do mosquito Aedes aegypti em territórios indígenas, com a liberação de insetos machos estéreis na aldeia Cimbres, localizada no município de Pesqueira, em Pernambuco. A medida busca reforçar o combate às arboviroses, como dengue, Zika e chikungunya, na região.

Segundo a pasta, 50 mil mosquitos machos estéreis já foram soltos nesta primeira etapa. A estratégia consiste em impedir a reprodução do vetor: ao acasalarem com as fêmeas, esses mosquitos não geram descendentes, o que leva à redução gradual da população do inseto transmissor e, consequentemente, do risco de circulação dos vírus.

A iniciativa marca o início da aplicação da Técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE) em comunidades indígenas no Brasil. Nas próximas fases do projeto, está prevista a liberação semanal de mais de 200 mil mosquitos estéreis, ampliando o alcance da ação.

Além da aldeia Cimbres, a tecnologia também será implantada no território indígena Guarita, em Tenente Portela (RS), e em áreas indígenas dos municípios de Porto Seguro e Itamaraju, na Bahia.

O investimento inicial destinado à estratégia é de R$ 1,5 milhão, valor que contempla a produção dos insetos, a logística de distribuição e o monitoramento dos resultados. De acordo com o ministério, a continuidade e a possível ampliação da iniciativa dependerão da avaliação técnica e dos dados coletados, que irão medir o impacto na redução dos casos das doenças transmitidas pelo mosquito.

A Técnica do Inseto Estéril utiliza a própria espécie como ferramenta de controle populacional. Em laboratório, os mosquitos machos passam por um processo de esterilização com radiação ionizante e, depois, são liberados em grande quantidade nas áreas-alvo.

Por não utilizar inseticidas e não representar riscos à saúde humana nem ao meio ambiente, a metodologia é considerada especialmente adequada para territórios indígenas e áreas de preservação, onde o uso de produtos químicos é limitado ou proibido.