
O Paraná começou 2026 com resultados expressivos na área de doação de órgãos. Nos primeiros dias do ano, foram registradas 17 doações, que possibilitaram a realização de transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e ofereceram uma nova chance de vida a dezenas de pacientes que aguardavam na fila.
As doações incluíram fígado, rins e córneas, beneficiando aproximadamente 41 pessoas no Paraná e cinco pacientes em outros estados. Os números reforçam a continuidade de uma trajetória de crescimento consolidada ao longo dos últimos anos na política estadual de transplantes.
A análise dos dados entre 2001 e 2024 mostra uma mudança significativa no cenário da doação de órgãos no Estado, especialmente nos últimos seis anos, período marcado por maior estabilidade e patamares elevados nos indicadores.
Um dos principais avanços está no número de doadores efetivos por milhão de população (pmp). Em 2001, o índice era de 9,4 pmp. Em 2024, o Paraná alcançou 43,7 pmp, representando um crescimento de aproximadamente 365%. Além do aumento expressivo, chama atenção a regularidade dos resultados mais recentes, indicando um sistema mais seguro e eficiente.
Entre 2001 e 2010, a média foi de 10,08 doadores pmp. Já entre 2011 e 2019, o índice subiu para 27,94 pmp, chegando a 40,84 pmp no período de 2020 a 2024.
O avanço no número de doadores refletiu diretamente no total de transplantes realizados. Em 2001, o Paraná contabilizou 729 procedimentos. Em 2024, esse número chegou a 2.081 transplantes, um crescimento de 185%.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os resultados são fruto do fortalecimento da Central Estadual de Transplantes (CET), da ampliação da rede de hospitais notificadores e transplantadores, da padronização de protocolos e da capacitação contínua das equipes multiprofissionais envolvidas em todas as etapas do processo.
Outro fator decisivo foi a melhoria na logística e regulação, garantindo maior agilidade na captação, transporte e distribuição dos órgãos, reduzindo perdas e ampliando o aproveitamento das doações. As campanhas permanentes de conscientização também contribuíram para o aumento da autorização familiar.
A expansão da política de transplantes para o interior do Estado teve papel fundamental nesse crescimento. Com mais hospitais capacitados para notificar casos de morte encefálica e manter potenciais doadores, o Paraná ampliou a participação de unidades fora dos grandes centros urbanos.
Atualmente, cerca de 70 hospitais realizam o processo de doação de órgãos no Estado. A rede de transplantes conta com 34 equipes transplantadoras de órgãos, 72 equipes transplantadoras de tecidos — como córneas, valvas cardíacas, pele, tecidos musculoesqueléticos e medula óssea — além de três bancos de tecidos.
Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, os indicadores dos últimos anos mostram que o Paraná atingiu um novo nível operacional na política de transplantes, com maior previsibilidade, eficiência e impacto direto na ampliação do acesso aos procedimentos pelo SUS.
Ele destacou que a manutenção dos índices em níveis elevados demonstra a maturidade do modelo adotado e o fortalecimento de uma política pública com resultados concretos na sobrevida e na qualidade de vida da população.
Córneas e rins foram os transplantes mais realizados nas últimas duas décadas, seguidos por fígado e coração. Histórias como a de Rosania Domingos Santos, que autorizou a doação dos órgãos da filha de 14 anos há oito anos, simbolizam esse gesto de solidariedade. Após a morte da adolescente em Paranaguá, rins, pâncreas e fígado foram destinados a pacientes do Paraná e de outros estados.
Para Rosania, a doação representa um ato de amor. Ela defende a causa e reforça que doar órgãos é uma forma de ajudar o próximo e transformar a dor em esperança.
De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, o Paraná foi, em 2024, o estado com o maior número de doadores por milhão de população, alcançando 42,3 pmp, mais que o dobro da média nacional, que ficou em 19,2 pmp. Dados parciais de 2025 indicam que o Estado manteve índices elevados, consolidando-se entre os líderes nacionais em doação de órgãos.
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