Um estudo clínico de fase 2 trouxe novos indícios de avanço no tratamento do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. De acordo com os dados divulgados, uma vacina terapêutica experimental foi capaz de reduzir em até 49% o risco de recorrência da doença ou de morte entre pacientes diagnosticados em estágios avançados.
A pesquisa acompanhou, ao longo de cinco anos, 157 pacientes com melanoma em estágio 3 ou 4 que passaram por cirurgia para retirada completa do tumor. Parte dos participantes recebeu a vacina experimental, baseada na tecnologia de mRNA e denominada intismeran, associada ao imunoterápico pembrolizumabe, conhecido comercialmente como Keytruda. O grupo de comparação foi tratado apenas com o medicamento.
O estudo foi conduzido com apoio das farmacêuticas Moderna e Merck (MSD, no Brasil), responsáveis pelo desenvolvimento do imunizante e do medicamento, respectivamente. Apesar dos resultados animadores, os dados ainda não foram publicados em uma revista científica com revisão por pares.
Especialistas avaliam os achados com cautela. Segundo o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, vacinas terapêuticas vêm sendo estudadas há décadas e têm como objetivo estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais, de forma semelhante ao que ocorre com vacinas desenvolvidas contra a covid-19. No entanto, ele ressalta que ainda não há comprovação definitiva de que esse tipo de vacina aumente a sobrevida global de pacientes com melanoma.
A expectativa é que novos dados tragam respostas mais conclusivas. O recrutamento para o estudo de fase 3 já foi finalizado, e outras pesquisas estão em andamento para testar a eficácia da vacina em diferentes tipos de câncer.
O melanoma costuma apresentar características específicas que servem de alerta, como assimetria da lesão, bordas irregulares, variação de cores, diâmetro superior a seis milímetros e mudanças ao longo do tempo em tamanho, forma ou coloração.
A prevenção continua sendo fundamental. Especialistas reforçam a importância de evitar a exposição excessiva ao sol e à radiação ultravioleta desde a infância, utilizando protetor solar e outras medidas de proteção. O dano causado pela radiação é cumulativo, o que torna o cuidado precoce essencial para reduzir o risco da doença.