Mesmo enfrentando uma condição genética rara e progressiva, Charleston Roberto de Oliveira Mayer Júnior, de 21 anos, morador de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, acaba de alcançar uma importante conquista: a aprovação no curso de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), logo em sua primeira tentativa de vestibular.
Diagnosticado ainda na infância com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), Charleston convive desde cedo com limitações físicas que se intensificaram ao longo dos anos. Os primeiros sinais surgiram entre os 5 e 6 anos de idade, com dificuldades motoras progressivas. Aos 10 anos, passou a utilizar cadeira de rodas, mudança que transformou sua rotina, mas não diminuiu sua sede por conhecimento.
A educação sempre foi prioridade em sua trajetória. Ele iniciou os estudos no Colégio Passionista Rosário, em Colombo, onde cursou o ensino fundamental em um ambiente marcado por acolhimento e incentivo. No Ensino Médio, decidiu ir além e prestou processo seletivo para o Ensino Médio Técnico em Informática do Instituto Federal do Paraná (IFPR – Campus Colombo), sendo aprovado e concluindo a formação ao longo de quatro anos.
A escolha pelo curso de Direito foi fortemente influenciada pelo ambiente familiar. A mãe, Alessandra Mara Rodrigues, pedagoga e ex-professora da rede municipal, decidiu cursar Direito após vivenciar, ao lado do filho, as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência no acesso a direitos e políticas públicas. Aprovada na OAB ainda durante a graduação, tornou-se uma referência diária de perseverança. O pai, sempre presente, também é apontado pela família como um dos principais pilares de apoio.
Inspirado por essa realidade, Charleston decidiu seguir o mesmo caminho. Seu objetivo é atuar na defesa dos direitos humanos, especialmente das pessoas com deficiência, e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Em 2025, prestou o vestibular da UFPR sem cursinho preparatório. Atualmente, o jovem faz uso de ventilação mecânica 24 horas por dia e necessita de acompanhamento terapêutico constante. Durante as provas, contou com o auxílio de ledor e escriba, ditando todas as respostas — um desafio adicional superado com determinação.
A aprovação foi recebida com grande emoção pela família. Para a mãe, a conquista representa mais do que um resultado acadêmico: é a confirmação de uma trajetória marcada por fé, coragem e resistência. Charleston também chama atenção para uma realidade pouco conhecida: apesar da gravidade da doença, não recebe benefício assistencial, o que torna a luta familiar ainda mais intensa para garantir tratamentos e qualidade de vida.
Agora, como calouro da UFPR, o jovem inicia uma nova etapa, marcada pela expectativa e também por desafios relacionados à acessibilidade no ambiente universitário, já que depende do auxílio de terceiros para frequentar as aulas.
Com planos bem definidos, Charleston sonha alto. Além da advocacia, ele deseja, no futuro, disputar uma vaga como vereador em Colombo, com o propósito de atuar na criação de leis e na defesa da população, especialmente das pessoas com deficiência.
A história de Charleston reforça uma mensagem clara: quando a determinação é maior que as limitações, os sonhos continuam possíveis.