A publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular trouxe mudanças significativas para os exames práticos de direção em todo o país. O documento estabelece diretrizes únicas, revisa critérios de aprovação e reprovação e altera a forma como as habilidades dos candidatos passam a ser avaliadas.
Entre as principais mudanças está o fim da baliza como etapa obrigatória isolada. A partir de agora, o estacionamento passa a integrar o percurso do exame, sendo avaliado dentro de um contexto real de circulação, o que, segundo o manual, torna a prova mais coerente com situações do dia a dia do trânsito.
Outra alteração importante é a adoção de um sistema de pontuação, que substitui a reprovação automática por uma única infração. Cada erro passa a ter um peso específico:
-
infrações leves somam 1 ponto;
-
médias, 2 pontos;
-
graves, 4 pontos;
-
gravíssimas, 6 pontos.
O candidato será aprovado desde que não ultrapasse o limite de 10 pontos. Ao atingir essa pontuação, a reprovação é automática, mas erros isolados deixam de eliminar o candidato imediatamente.
Estacionamento passa a fazer parte do trajeto
Com o novo modelo, o estacionamento deixa de ser uma etapa separada. O candidato será avaliado desde a escolha da vaga até a forma como finaliza a manobra e sai do veículo. A análise leva em conta fatores como fluxo de veículos, presença de pedestres, visibilidade, sinalização e eventuais restrições do local.
A baliza continua existindo, mas passa a ser aplicada apenas quando necessária para acessar vagas mais apertadas. O manual também prevê vagas maiores, com dimensões equivalentes ao tamanho do veículo acrescidas de 50%, e não estabelece tempo máximo fixo para concluir a manobra, apenas um “tempo razoável”, avaliado pelos examinadores.
Reteste gratuito e mais flexibilidade
Outra novidade é que o primeiro reteste será gratuito em caso de reprovação. Dependendo da disponibilidade da agenda, a nova tentativa pode ocorrer no mesmo dia. Caso contrário, o candidato poderá remarcar para outra data.
O exame também passa a permitir a utilização de veículos com câmbio manual ou automático, podendo ser do próprio candidato ou fornecido pelo órgão de trânsito, desde que esteja em condições regulares de uso e segurança.
Avaliação técnica e fim das “pegadinhas”
O manual define que quatro servidores participam do processo: um preposto, que acompanha o candidato durante a prova, e uma Comissão de Exame composta por três agentes, responsáveis pela avaliação técnica e pelo resultado final.
O documento também proíbe trajetos elaborados para induzir o erro. Segundo o texto, não são permitidas “armadilhas” ou dificuldades artificiais, devendo o percurso seguir uma progressão natural de desafios, compatível com a avaliação da condução segura em vias públicas.
Vias proibidas no exame
Para evitar situações excepcionais e imprevisíveis, o manual veta a realização do exame em rodovias, vias expressas, estradas, túneis, pontes, viadutos, áreas com obras, zonas logísticas, trechos com alto fluxo de veículos pesados e ruas sem saída.
O objetivo, segundo o documento, é reduzir o estresse excessivo do candidato e garantir que a avaliação seja justa, técnica e alinhada à realidade do trânsito urbano, priorizando a segurança e a formação de condutores mais preparados.