A colheita da soja já começou nos 15 municípios que integram a área do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) de Ivaiporã. No entanto, os trabalhos ainda caminham em ritmo lento e com indicativos de queda na produtividade. Até o momento, aproximadamente 3% da área plantada foi colhida.
A previsão inicial mais otimista do Departamento de Economia Rural (Deral), que apontava média de 160 sacas de 60 quilos por alqueire, foi reavaliada. Agora, a nova estimativa é de 140 sacas por alqueire, refletindo os impactos climáticos registrados ao longo do ciclo da cultura.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Sérgio Carlos Empinotti, a colheita começou antes do calendário tradicional. Em anos anteriores, o início costumava ocorrer por volta de 15 de fevereiro, mas nesta safra algumas áreas foram colhidas ainda no fim de janeiro e começo de fevereiro. A antecipação, segundo ele, teve como principal objetivo abrir espaço para o plantio do milho safrinha.
Apesar disso, grande parte das lavouras segue em fase de maturação. A umidade elevada dos grãos, causada pelas chuvas recentes, também dificulta o avanço das máquinas no campo, mesmo em áreas já maduras.
O principal fator de preocupação foi a estiagem registrada em janeiro. Em determinados municípios, o período seco se estendeu por mais de 15 dias, chegando a ultrapassar 20 dias em algumas localidades. A falta de chuva atingiu lavouras em fases consideradas decisivas, como floração e enchimento de grãos, provocando abortamento de flores e comprometimento das últimas vagens.
Reflexos no campo
Os efeitos já são percebidos pelos produtores. Em Ariranha do Ivaí, o agricultor Robson Maciel Bovo iniciou a colheita em uma área semeada no dia 26 de setembro. Ele cultiva cerca de 30 alqueires de soja, divididos entre área própria e arrendada.
Na primeira área colhida, a média alcançada foi de aproximadamente 150 sacas por alqueire, resultado inferior ao esperado. Segundo o produtor, com chuvas regulares seria possível atingir produtividade próxima de 200 sacas por alqueire.
A irregularidade das precipitações entre a segunda quinzena de janeiro e o início de fevereiro comprometeu o desenvolvimento das plantas. Em algumas semanas, o volume de chuva ficou abaixo de 10 milímetros, quando o ideal seria em torno de 40 milímetros semanais para garantir bom desempenho da cultura.
A preocupação é maior em relação às áreas que ainda serão colhidas. As lavouras mais adiantadas conseguiram escapar parcialmente dos efeitos da seca, mas aquelas que enfrentaram o período crítico durante floração e granação devem apresentar rendimento ainda menor.
Além das perdas no campo, o cenário de mercado também preocupa. A saca da soja está sendo negociada entre R$ 111 e R$ 113, valores considerados baixos frente aos custos de produção. Em áreas arrendadas, a margem tende a ser bastante reduzida caso a produtividade fique abaixo do esperado.
Com grande parte das lavouras na reta final de maturação, a expectativa é de que a colheita ganhe intensidade nas próximas semanas, à medida que as condições climáticas permitam maior avanço das máquinas.

