A bióloga marinha paranaense Camila Domit, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Associação MarBrasil, está entre os finalistas do Whitley Awards 2026, uma das mais importantes premiações internacionais voltadas à conservação ambiental.
Reconhecido mundialmente como o “Oscar da Conservação”, o prêmio destaca lideranças que desenvolvem iniciativas de impacto na proteção da biodiversidade. Camila é a única representante do Brasil nesta edição.
A indicação se deve ao trabalho desenvolvido na proteção de duas espécies de golfinhos ameaçadas de extinção — o boto-cinza e a toninha — no litoral do Paraná. As ações são realizadas em parceria com comunidades tradicionais da região, integrando conservação ambiental, ciência e desenvolvimento social.
Conservação aliada ao turismo responsável
As espécies monitoradas ocorrem em áreas como a Ilha das Peças e a Ilha do Mel, destinos conhecidos pelo turismo de observação da natureza. Segundo a pesquisadora, o crescimento dessa atividade exige planejamento e participação ativa das comunidades locais para garantir que a prática seja sustentável.
Ela destaca que a conservação só se mantém quando há envolvimento direto das populações do entorno, incluindo mulheres e jovens, assegurando benefícios sociais e proteção efetiva das espécies marinhas.
Camila Domit é formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), além de mestre e doutoranda em Zoologia pela UFPR. Ela coordena o Centro de Estudos do Mar da universidade e o Laboratório de Ecologia e Conservação de Mamíferos e Répteis Marinhos (LEC).
Em 2025, o laboratório ganhou destaque pelo resgate de dezenas de pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral paranaense e pela reabilitação do primeiro filhote de elefante-marinho monitorado no Brasil.
Premiação internacional
O Whitley Awards é promovido pelo Whitley Fund for Nature (WFN), organização criada em 1993 e dedicada ao financiamento de projetos ambientais no Sul global. Desde sua fundação, a instituição já destinou o equivalente a cerca de R$ 185 milhões para 220 conservacionistas de 80 países.
A cada ano, até seis lideranças são contempladas com recursos financeiros e capacitação técnica. Cada vencedor recebe mais de R$ 350 mil para fortalecer e ampliar suas iniciativas de conservação.
Em 2026, a premiação recebeu 270 candidaturas da África, Ásia e América Latina. O resultado será divulgado no dia 29 de abril.
Na edição anterior, a brasileira Yara Barros, do Projeto Onças do Iguaçu, esteve entre as vencedoras. Já em 2024, o reconhecimento foi concedido à pesquisadora Fernanda Abra, que atua na proteção da fauna em rodovias.
A presença de Camila Domit entre os finalistas reforça o protagonismo da pesquisa brasileira na conservação marinha e amplia a visibilidade internacional dos esforços realizados no litoral do Paraná.