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Aos 69 anos, ex-cabeleireiro deixa carreira de 45 anos para cursar Medicina no Paraguai
Brasileiro se mudou sozinho para Cidade do Leste após concluir o ensino médio pelo EJA e hoje inspira milhares nas redes sociais
03/03/2026 07h38
Por: Admin Fonte: G1 Paraná

Aos 69 anos, Cleones Silveira decidiu reescrever a própria história. Depois de 45 anos atuando como cabeleireiro, ele trocou o salão de beleza pelos livros de Medicina e atualmente cursa a graduação em Cidade do Leste, no Paraguai, município que faz fronteira com Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.

O retorno aos estudos começou aos 64 anos, quando concluiu o ensino médio por meio do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). Até então, a rotina de sala de aula não fazia parte de sua trajetória.

“Eu praticamente não estudei na infância. Tudo o que aprendo hoje é novidade. Posso dizer que estou estudando de verdade pela primeira vez”, relata.

O incentivo partiu da esposa e dos filhos, que o motivaram a concluir a educação básica. Três anos depois, com boas notas, decidiu dar um passo ainda maior: ingressar no curso de Medicina.

Embora nunca tivesse planejado seguir a profissão, Cleones afirma que sempre trabalhou cuidando de pessoas e passou a enxergar na área da saúde uma nova forma de continuar esse propósito.


Mudança radical e recomeço em outro país

Sem condições financeiras de custear uma faculdade particular no Brasil, ele pesquisou alternativas na Bolívia, Argentina e Paraguai. A escolha final foi por Cidade do Leste.

Aos 67 anos, vendeu o salão, se aposentou e se mudou sozinho para o país vizinho. A família permaneceu no Brasil.

“Foi uma mudança radical. Passei meus clientes para minha filha e meu sobrinho, escrevi uma carta de despedida e vim. O mais difícil é a distância da família”, conta.

Atualmente no quarto semestre, Cleones encara aulas em período integral, provas frequentes e o desafio do idioma espanhol. Ele relata que o início foi difícil, com várias recuperações, mas destaca a evolução ao longo dos semestres.

“Medicina não é para o mais inteligente, é para o mais persistente. É como uma maratona”, afirma.


Fenômeno nas redes sociais

A história ganhou repercussão após a publicação de uma foto com o uniforme da faculdade. A imagem ultrapassou dois milhões de visualizações, e o perfil dele soma mais de 30 mil seguidores.

Hoje, Cleones recebe mensagens de adultos e idosos de diversas regiões do Brasil que pensam em retomar os estudos.

“Comecei sem pretensão nenhuma. Nunca fui ligado em redes sociais, mas percebi que minha trajetória pode incentivar outras pessoas”, diz.


Plano é revalidar diploma e atuar no Brasil

Após concluir o curso, Cleones pretende prestar o Revalida — exame obrigatório para médicos formados no exterior que desejam atuar no Brasil. O objetivo, segundo ele, é trabalhar com atendimento humanizado, especialmente voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Não faz sentido começar Medicina nessa idade pensando em dinheiro. Quero ajudar. Se eu conseguir fazer a diferença na vida de uma pessoa por dia, já terá valido a pena”, afirma.