
O Paraná foi palco de uma ampla operação policial que desarticulou um esquema nacional de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro. A ação, coordenada pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público, resultou na prisão de 61 pessoas entre terça-feira (7) e quarta-feira (8).
As diligências ocorreram em diversas cidades do estado, incluindo Curitiba, Maringá, Londrina, Cascavel e Campo Mourão, com cumprimento de 371 ordens judiciais. Entre elas, estavam 85 mandados de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão e 184 bloqueios de contas bancárias, com o objetivo de reter cerca de R$ 1,5 bilhão.
A operação contou com mais de 330 policiais civis e o apoio de aeronaves. Entre os presos estão lideranças da organização, agentes ligados ao setor financeiro e operacional, além de dois vereadores.
Durante as ações, foram apreendidos dinheiro em espécie, moedas estrangeiras, máquinas de jogos ilegais, armas, munições, celulares e documentos que devem contribuir para o avanço das investigações.
Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de um grande volume de bens ligados ao grupo. Foram apreendidos 132 veículos avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis estimados em cerca de R$ 32,9 milhões e mais de 100 cabeças de gado, com valor aproximado de R$ 43,9 milhões.
Também foram retirados do ar 21 sites utilizados para apostas ilegais.
As investigações apontam que o grupo atuava em larga escala, com presença em pelo menos 19 estados brasileiros. A organização teria surgido da união entre duas estruturas criminosas — uma do Paraná e outra de Goiás — formando uma rede altamente estruturada.
O trabalho investigativo teve início há mais de três anos, na cidade de Grandes Rios, e avançou a partir da análise de equipamentos eletrônicos apreendidos. Uma empresa de tecnologia, sediada em Apucarana, é apontada como responsável pelo desenvolvimento dos sistemas utilizados nas plataformas ilegais.
Ao longo das apurações, foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados e cerca de 520 mil transações financeiras, com base em diversas quebras de sigilo bancário e fiscal.
Segundo as autoridades, o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões em quatro anos, utilizando empresas de fachada, contas de terceiros e plataformas digitais para ocultar os valores.
Os envolvidos podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais. A operação segue em andamento, com foco na identificação de novos participantes e no aprofundamento das investigações.
A ação é considerada uma das maiores já realizadas no estado contra esse tipo de crime e evidencia a dimensão do esquema desmantelado pelas autoridades.
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