
Uma operação realizada na segunda-feira (6) resultou na prisão de cinco pessoas ligadas a uma clínica de reabilitação em Londrina, no norte do Paraná. A unidade, identificada como Comunidade Terapêutica Escolha Certa, foi interditada após vistoria do Ministério Público do Paraná (MP-PR), com apoio da Vigilância Sanitária e outros órgãos.
Foram presos em flagrante quatro funcionários e uma sócia do local, suspeitos de envolvimento em crimes como sequestro, cárcere privado, tortura e irregularidades no uso de medicamentos. Após audiência de custódia, a Justiça determinou a prisão preventiva dos investigados.
Durante a inspeção, as autoridades encontraram mais de 30 pacientes mantidos em um mesmo espaço, trancados por mais de 10 horas. A justificativa apresentada pela equipe era a aplicação de um suposto método terapêutico denominado “descansoterapia”. No entanto, os relatos indicam que a prática era recorrente e feita sem qualquer respaldo técnico.
De acordo com o MP, os internos eram, em sua maioria, dependentes químicos, pessoas com transtornos mentais, idosos e pessoas com deficiência — grupos considerados altamente vulneráveis. Os depoimentos apontam para um cenário de graves violações de direitos.
Segundo a promotora responsável pelo caso, os pacientes relataram que eram submetidos a agressões físicas e psicológicas, além de sofrerem com alimentação precária — em alguns casos, até estragada. Também há denúncias de que alimentos enviados por familiares eram desviados por funcionários.
Outro ponto alarmante envolve o uso de uma substância desconhecida, apelidada de “danoninho”. Conforme os relatos, os internos eram obrigados a ingerir o líquido, que provocava forte sedação por longos períodos. Quatro recipientes contendo a substância foram apreendidos e encaminhados para análise pericial.
As vítimas também denunciaram a ausência de atendimento médico adequado, mesmo diante de efeitos colaterais graves. Há relatos de pacientes que apresentaram sintomas severos e não receberam assistência. Além disso, documentos pessoais eram retidos, e alguns internos afirmaram ter sido amarrados.
O medo de represálias também foi destacado nas investigações. Segundo o MP, pacientes eram coagidos a escrever cartas para familiares afirmando que estavam bem, mesmo diante das condições enfrentadas.
A vistoria contou ainda com a participação da Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria do Idoso, Conselho Regional de Medicina, Polícia Militar e Guarda Municipal. As autoridades constataram que a clínica não possuía condições mínimas de funcionamento, tanto do ponto de vista estrutural quanto técnico.
O local já havia sido alvo de denúncias anteriores, o que motivou uma nova fiscalização. O proprietário da clínica não foi localizado durante a operação.
Os pacientes foram ouvidos pelas autoridades e relataram episódios de violência desde o momento da internação, que em alguns casos teria ocorrido de forma forçada. As investigações continuam para apurar todos os envolvidos e as responsabilidades no caso.
O episódio gera forte repercussão e levanta um alerta sobre a fiscalização de instituições voltadas ao tratamento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Mín. 17° Máx. 31°
