Uma grande ofensiva da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) resultou na prisão de ao menos 61 pessoas suspeitas de envolvimento com jogos de azar e lavagem de dinheiro. A ação ocorreu entre terça-feira (7) e quarta-feira (8), abrangendo 27 cidades em cinco estados brasileiros.
Entre os detidos estão dois vereadores: o presidente da Câmara de Cianorte, Víctor Hugo Davanço (Podemos), e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho (PSD). Ambos tiveram a prisão preventiva decretada. Até o momento, a polícia não detalhou qual seria o papel de cada um dentro da suposta organização criminosa.
As investigações apontam que o grupo movimentou bilhões de reais ao longo de aproximadamente três anos, por meio de mais de 500 mil transações financeiras. O esquema é considerado um dos maiores já identificados no país nesse tipo de crime.
As defesas dos parlamentares afirmaram que ainda analisam o caso. A equipe jurídica de Davanço declarou que não teve acesso completo aos autos, mas sustenta que a inocência será comprovada. Já a defesa de Marcelo Gaúcho informou que solicitou a revogação da prisão e também confia na absolvição. As Câmaras Municipais envolvidas disseram não ter sido oficialmente notificadas.
De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a exploração de jogos de azar é proibida no Brasil e enquadrada como contravenção penal. A legislação prevê pena de prisão simples e multa para quem explora essas atividades, enquanto apostadores estão sujeitos a sanções financeiras.
A operação mobilizou mais de 330 policiais e contou com o apoio de três aeronaves. Ao todo, foram cumpridas 371 ordens judiciais, incluindo:
As medidas visam o sequestro de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em bens e valores.
As ações ocorreram em diversas cidades do Paraná, além de municípios nos estados de São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Pará.
Durante a operação, foram apreendidos:
Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.
Em Cianorte, apontada como base da organização, agentes localizaram carros de luxo, máquinas caça-níqueis e dinheiro em espécie. Segundo a polícia, um dos pontos investigados funcionava como um mini cassino disfarçado de lotérica.
As apurações começaram há mais de três anos, a partir de indícios levantados no município de Grandes Rios, no norte do Paraná. Ao longo do processo, foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados e cerca de 520 mil movimentações financeiras.
A investigação também envolveu dezenas de quebras de sigilo bancário e fiscal, o que permitiu identificar a estrutura de um grupo altamente organizado. Segundo a polícia, a organização surgiu da união de dois grandes grupos de jogos ilegais — um do Paraná e outro de Goiás.
O esquema utilizava empresas de fachada, contas de “laranjas” e plataformas digitais para ocultar a origem dos recursos ilícitos. A estrutura criminosa era dividida em núcleos, incluindo liderança, financeiro, tecnológico e operacional.
Entre os destaques, está a identificação de uma empresa de tecnologia responsável por desenvolver sistemas e plataformas online usadas para operar jogos ilegais em pelo menos 14 estados brasileiros.
A investigação segue em andamento e não descarta novas prisões. O caso chama atenção pela complexidade do esquema e pelo volume expressivo de recursos movimentados, evidenciando o alcance nacional da organização.