O modelo de pedágio eletrônico conhecido como free flow, que dispensa praças físicas e realiza a cobrança automática por meio de câmeras e sensores, deve avançar para novas regiões do Paraná nos próximos meses. Já em funcionamento no Sudoeste desde fevereiro, o sistema prevê a instalação de ao menos seis novos pontos de cobrança em diferentes trechos do Estado.
Atualmente, o sistema opera em rodovias sob concessão da EPR Iguaçu, responsável por 662 quilômetros de estradas nas regiões Oeste e Sudoeste. Nesse trecho, três pórticos já estão ativos entre Cascavel e Pato Branco.
A expansão inclui novos pontos nas regiões Norte e Noroeste, sob administração da EPR Paraná, com implantação prevista em cidades como Jataizinho, Rolândia, Mandaguari, Marialva, Presidente Castelo Branco e Mandaguaçu. A previsão é de que a cobrança comece ainda neste ano.
Outras concessionárias também avançam na implantação. A Motiva Paraná já instalou dois pórticos — na PR-445, em Tamarana, e na BR-376, em Mauá da Serra — que ainda aguardam início de operação. Já a Via Araucária estuda substituir praças tradicionais pelo sistema eletrônico em trechos da Região Metropolitana de Curitiba, enquanto a Via Campo formalizou pedido para adoção do modelo em Floresta, sem prazo definido.
Por outro lado, algumas concessionárias, como a EPR Litoral Pioneiro e a Arteris Litoral Sul, afirmam não ter previsão de adotar o sistema em seus contratos atuais.
Apesar da expansão, o modelo está no centro de discussões judiciais e políticas. A Assembleia Legislativa do Paraná e parlamentares contestam a forma de cobrança, especialmente o fato de a tarifa ser aplicada integralmente, independentemente da distância percorrida.
A crítica se baseia em uma legislação federal que prevê cobrança proporcional ao trajeto. Além disso, deputados levantam dúvidas sobre a legalidade de aditivos contratuais que permitiram a instalação dos pórticos sem previsão inicial nos contratos.
As ações judiciais em andamento pedem desde a suspensão da expansão do sistema até a interrupção imediata da cobrança em trechos já operacionais. Até o momento, não há decisão definitiva.
No free flow, não há cancelas nem cabines. A identificação dos veículos ocorre por leitura de placas ou por TAG eletrônica instalada no para-brisa. Após a passagem, o usuário tem até 30 dias para realizar o pagamento.
Segundo a EPR Iguaçu, cerca de 95% dos motoristas estão em dia com as tarifas. Ainda assim, milhares de usuários acumulam débitos, principalmente por desconhecimento do sistema ou falta de atenção à cobrança.
O pagamento pode ser feito por aplicativos, site, PIX, cartões ou em pontos físicos de atendimento e totens instalados em comércios e bases operacionais ao longo das rodovias.
Usuários com TAG têm direito a descontos, como o Desconto Básico de Tarifa (DBT), de 5%, e reduções progressivas para quem utiliza frequentemente os trechos pedagiados.
Com a expansão do modelo, cresce também a necessidade de adaptação por parte dos usuários. Sem a presença física de praças de pedágio, muitos motoristas passam pelos pontos de cobrança sem perceber, o que pode gerar inadimplência e até inscrição em dívida ativa.
O avanço do free flow no Paraná representa uma mudança significativa na forma de cobrança nas rodovias, trazendo mais fluidez ao trânsito, mas também desafios relacionados à transparência, fiscalização e conscientização dos usuários.