O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (14) que a atuação dos Estados Unidos no conflito com o Irã é “inconsequente” e criticou o comportamento do presidente norte-americano Donald Trump, apontando que ameaças internacionais não contribuem para a estabilidade global.
Durante entrevista a veículos de comunicação, Lula declarou que o líder norte-americano tem adotado um discurso voltado à construção de narrativas internas, com o objetivo de reforçar a imagem dos Estados Unidos como potência dominante. Apesar disso, o presidente brasileiro destacou que reconhece a relevância econômica do país, atribuindo esse protagonismo à capacidade produtiva da população e não a posturas autoritárias.
Segundo Lula, o atual cenário de tensão no Oriente Médio pode trazer impactos diretos à economia mundial, especialmente no aumento dos combustíveis. Ele também ressaltou que atitudes baseadas em ameaças prejudicam o ambiente democrático e as relações internacionais.
O presidente brasileiro ainda manifestou apoio ao papa Leão XIV, que recentemente trocou críticas públicas com Trump. Lula afirmou concordar com o posicionamento do pontífice e defendeu que líderes globais não devem agir com intimidação.
A troca de declarações entre Trump e o papa ocorreu após críticas do religioso às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela. Em resposta, o presidente norte-americano questionou a atuação do líder religioso em temas de política externa, o que gerou reação direta do pontífice.
Ainda durante a entrevista, Lula comentou a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, detido nos Estados Unidos por autoridades de imigração. Segundo ele, o político deve retornar ao Brasil para cumprir pena, após condenação por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a Polícia Federal, a detenção ocorreu por meio de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos. Ramagem foi localizado na cidade de Orlando, na Flórida, após ter deixado o país mesmo com restrições judiciais e integrar a lista de procurados da Interpol.
O caso reforça a articulação entre autoridades internacionais no combate a crimes transnacionais, enquanto o cenário político global segue marcado por tensões diplomáticas e conflitos em curso.