Polícia Abuso Sexual
Médico é denunciado por violação sexual após suposto abuso durante atendimento na rede pública em Irati
Investigação aponta uso de falso procedimento clínico para prática de atos libidinosos; defesa nega irregularidades
14/04/2026 16h12
Por: Admin Fonte: G1 Paraná

Um médico ginecologista de 81 anos se tornou réu por violação sexual mediante fraude após ser acusado de abusar de uma paciente de 24 anos durante atendimento pela rede pública de saúde em Irati, na região central do Paraná.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o profissional teria se aproveitado da relação de confiança com a paciente para realizar atos de cunho sexual sob o pretexto de um suposto procedimento médico. Segundo o delegado responsável pelo caso, não há respaldo científico para as condutas relatadas, que incluiriam toques íntimos apresentados como parte de um tratamento.

Ainda conforme a apuração, o atendimento apresenta inconsistências consideradas relevantes. O prontuário eletrônico não possui registros clínicos referentes à consulta, como anotações médicas, histórico da paciente ou solicitação de exames, o que levantou suspeitas sobre a conduta adotada.

Outro ponto destacado pela investigação é que, durante o atendimento, o médico teria interrompido o procedimento para atender uma ligação pessoal, enquanto a paciente permanecia em situação vulnerável, o que teria intensificado o constrangimento.

O caso ocorreu no início de fevereiro. A vítima procurou a polícia cerca de uma semana depois, relatando que demorou a formalizar a denúncia devido ao abalo emocional. A decisão de registrar o caso foi tomada após buscar orientação com outros profissionais de saúde e constatar que os procedimentos realizados não eram adequados.

Durante a investigação, foram ouvidas testemunhas, incluindo profissionais da área da saúde, familiares da vítima e o marido, que aguardava na recepção no momento do atendimento. A criança da paciente, que estava presente na sala, também foi ouvida em escuta especializada.

Diante da gravidade das acusações, a autoridade policial solicitou o afastamento do médico de suas funções e a suspensão do exercício profissional, medida que também foi reforçada pelo Ministério Público do Paraná. O pedido ainda aguarda decisão da Justiça.

O profissional, que atua na medicina desde 1975 e possui registro ativo, não tem antecedentes criminais e responde ao processo em liberdade. Ele também já ocupou cargos políticos no município ao longo de sua trajetória.

Em nota, a defesa negou qualquer conduta irregular e informou que os esclarecimentos serão apresentados no decorrer do processo judicial. Já o consórcio público de saúde responsável pelo atendimento afirmou que colaborou com as investigações e reforçou o compromisso com a segurança e o respeito aos pacientes.

As autoridades destacam que outras possíveis vítimas podem procurar a Polícia Civil, inclusive de forma anônima, para contribuir com as investigações.