Com apenas seis meses de vida, o pequeno Noah Felipe Bafa de Souza já representa um avanço importante na saúde pública do Paraná. Ele está entre os pacientes mais jovens do Sul do Brasil a iniciar o tratamento preventivo da hemofilia A com o medicamento Emicizumabe, recentemente incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até seis anos.
O acompanhamento é realizado pelo Hemepar, unidade de referência vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, que vem ampliando o acesso a terapias modernas e mais eficazes. A nova medicação atua na prevenção de sangramentos, uma das principais complicações da doença, garantindo mais segurança e qualidade de vida desde os primeiros meses.
O diagnóstico de Noah foi precoce, ainda aos dois meses de idade, após exames realizados no próprio Hemepar. Desde então, ele já iniciou as doses iniciais do tratamento, que substitui métodos tradicionais mais invasivos e frequentes.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, César Neves, a estrutura da rede pública tem sido essencial para garantir o acesso à nova terapia. Atualmente, mais de 30 crianças com menos de seis anos já foram identificadas para receber o mesmo tratamento no Estado.
A hemofilia A é uma condição genética rara, caracterizada pela deficiência de um fator essencial para a coagulação do sangue, o que pode provocar sangramentos prolongados e complicações graves. No caso de Noah, a doença já era conhecida na família, o que contribuiu para o diagnóstico rápido.
A mãe do bebê, Vanessa de Oliveira Bafa, acompanha de perto cada etapa do tratamento e destaca a esperança trazida pela nova medicação. Segundo ela, a possibilidade de oferecer ao filho uma vida mais saudável e com menos limitações representa uma mudança significativa em relação ao passado de outros pacientes.
Um dos principais avanços do Emicizumabe está na forma de aplicação, feita por via subcutânea, diferente das infusões intravenosas frequentes exigidas anteriormente. Isso facilita o cuidado com crianças pequenas e permite maior autonomia às famílias, que podem, inclusive, ser capacitadas para realizar o procedimento em casa.
O atendimento aos pacientes ocorre em unidades do Hemepar distribuídas em cidades como Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Guarapuava, garantindo cobertura em diversas regiões do Paraná. Segundo a diretoria da instituição, a ampliação do uso do medicamento foi acompanhada de planejamento e identificação rápida dos pacientes aptos ao tratamento.
Atualmente, o Paraná possui cerca de 800 pessoas diagnosticadas com hemofilia A. Destas, aproximadamente 40 já utilizam o Emicizumabe, número que tende a crescer com a inclusão do público infantil.
Para especialistas, o impacto da nova terapia vai além do controle da doença. A expectativa é de que crianças tratadas precocemente possam ter uma rotina mais próxima do normal, com menos limitações e mais oportunidades ao longo da vida.
O avanço ganha ainda mais relevância neste período em que se celebra o Dia Mundial da Hemofilia, reforçando a importância da conscientização e do investimento contínuo em tratamentos inovadores. A data também foi marcada por capacitações e ações em toda a rede estadual, fortalecendo o atendimento e o cuidado com pacientes hemofílicos em todo o Paraná.
O caso de Noah simboliza um novo cenário: o de uma saúde pública mais preparada, tecnológica e, principalmente, mais próxima das pessoas.