Saúde Situação Crítica
Situação alarmante: famílias indígenas enfrentam falta de água e recorrem a fontes possivelmente contaminadas
Comunidades recorrem a riachos possivelmente contaminados enquanto aguardam solução prometida após acordo histórico
02/05/2026 10h25
Por: Admin Fonte: G1 Paraná

Mais de 50 famílias indígenas enfrentam uma realidade preocupante no município de Terra Roxa, no Oeste do Paraná. Diante do abastecimento insuficiente, moradores das aldeias Tekoha Koenju, Yvyratã Porã e Arapoty passaram a utilizar água de riachos para atividades básicas do dia a dia, incluindo consumo e preparo de alimentos.

A área onde vivem, conhecida como Fazenda Brilhante, foi adquirida pela Itaipu Binacional em 2025, dentro de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal, que previa reparações históricas às comunidades indígenas impactadas pela construção da usina.

Apesar do compromisso de garantir infraestrutura básica, a realidade atual está distante do esperado. O abastecimento ocorre por meio de caminhões-pipa apenas duas vezes por semana, com cerca de seis mil litros por aldeia. No total, são aproximadamente 36 mil litros semanais para 56 famílias — um volume que resulta em cerca de 20 litros por pessoa por dia, muito abaixo do mínimo recomendado pela Sanepar, que é de 100 litros.

Sem alternativa, moradores relatam dificuldades diárias. “Quando a água acaba, precisamos buscar no rio até para cozinhar para as crianças”, afirmou uma das lideranças da comunidade.

A situação gerou mobilização de instituições. Um relatório produzido por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana apontou falhas no abastecimento e cobrou providências urgentes. O documento foi encaminhado à Defensoria Pública do Estado do Paraná, à Defensoria Pública da União e ao Ministério Público Federal, que passaram a acompanhar o caso.

Além da escassez, há preocupação com a qualidade da água. Lideranças relatam que os riachos utilizados podem estar contaminados por agrotóxicos e até por descarte irregular de animais, o que aumenta o risco à saúde das famílias.

Entidades como o Conselho Indigenista Missionário classificam a situação como alarmante e apontam falhas no atendimento de necessidades básicas.

Em resposta, a Itaipu informou que trabalha em parceria com órgãos públicos para implementar soluções definitivas, incluindo a perfuração de poços artesianos e instalação de sistemas de distribuição. Enquanto isso, medidas emergenciais seguem sendo adotadas, como o uso de caminhões-pipa.

A Defensoria Pública do Estado do Paraná já abriu procedimento para apurar as condições enfrentadas pelas comunidades.

O caso reacende o debate sobre o acesso à água potável como direito básico e expõe os desafios enfrentados por povos indígenas em processo de reconstrução de suas vidas em territórios reconhecidos.