Uma decisão da Justiça provocou forte repercussão em Toledo, no Oeste do Paraná. Os vereadores Edmilson Dias Barbosa (MDB), conhecido como Dudu Barbosa, e Valdomiro Nunes Ferreira (PL), o Valdomiro Bozó, foram condenados por corrupção passiva após serem acusados de solicitar R$ 300 mil em propina para aprovar um projeto de lei de interesse de uma empresa do setor de energia renovável.
A sentença foi expedida pela 1ª Vara Criminal de Toledo e determinou sete anos de prisão em regime semiaberto para ambos os parlamentares, além da perda dos cargos públicos. Ainda cabe recurso da decisão.
De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), os vereadores teriam exigido o pagamento em troca da aprovação de um projeto relacionado à construção de uma Central de Geração Hidrelétrica (CGH) no Rio São Francisco. O texto legislativo permitiria a passagem de tubulações fundamentais para a obra.
Segundo as investigações da 4ª Promotoria de Justiça de Toledo, a empresa se recusou a realizar o pagamento e decidiu denunciar o caso às autoridades. O nome da companhia não foi divulgado.
Mesmo com a denúncia, o projeto acabou sendo aprovado por unanimidade na Câmara Municipal em segundo turno.
A repercussão política foi imediata. Na segunda-feira (18), os vereadores de Toledo votaram pela cassação dos mandatos dos parlamentares. A decisão passou por duas votações e foi confirmada definitivamente nesta terça-feira (19).
Com a publicação oficial da cassação prevista para quarta-feira (20), a Câmara deverá iniciar o processo de convocação dos suplentes.
O caso também teve desdobramentos anteriores. Em agosto de 2025, o Ministério Público conseguiu o afastamento dos vereadores por 180 dias. Eles retornaram às atividades legislativas em fevereiro deste ano após revogação da medida cautelar, mas, apenas três dias depois, um novo pedido de afastamento foi feito pelo MP-PR e segue válido até hoje.
Até a última atualização do caso, as defesas dos vereadores e os partidos envolvidos não haviam se manifestado sobre a condenação.