
Uma megaoperação da Polícia Civil de São Paulo, realizada nesta terça-feira (19), revelou um esquema milionário de fraudes conhecido como golpe do falso advogado. Segundo as investigações, a quadrilha movimentou cerca de R$ 10 milhões em apenas seis meses, enganando vítimas em São Paulo e em outros estados do país.
A ação, batizada de Operação SP Advocacia Mais Segura, foi realizada em conjunto com a Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) e resultou no cumprimento de 26 mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens. Até o momento, pelo menos dez suspeitos foram presos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo criminoso utilizava nomes reais de advogados, documentos falsificados e até tecnologia de Inteligência Artificial para reproduzir vozes, tornando os golpes ainda mais convincentes.
As vítimas eram, na maioria, clientes que possuíam processos judiciais em andamento. Os criminosos entravam em contato afirmando que valores judiciais haviam sido liberados e convenciam as pessoas a realizar transferências bancárias sob falsas justificativas.
A investigação começou em São José do Rio Preto, no interior paulista, após uma vítima perder R$ 35 mil acreditando nas mensagens enviadas pelos golpistas. Segundo o delegado Everson Contelli, responsável pelo caso, o número de vítimas pode chegar a cerca de 700 pessoas.
Ainda conforme a polícia, os integrantes da quadrilha eram jovens de classe média baixa, moradores da capital paulista, Grande São Paulo e Baixada Santista, que operavam o esquema de dentro de casa utilizando centrais telefônicas virtuais e ferramentas digitais.
As investigações apontam que alguns suspeitos chegaram a ostentar viagens internacionais e vida de luxo nas redes sociais. Uma das investigadas, segundo a polícia, movimentou sozinha mais de R$ 3 milhões em contas bancárias sem comprovação de renda legal.
Durante as buscas, agentes apreenderam computadores, celulares e equipamentos usados para simular centrais de atendimento. Todo o material passará por perícia para aprofundar as investigações e identificar novos envolvidos.
O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, afirmou que a operação é resultado de meses de trabalho conjunto entre a entidade e a Polícia Civil para combater o uso criminoso da imagem de advogados.
Os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa, estelionato digital e fraudes eletrônicas.
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