Dois empresários e uma advogada foram presos preventivamente nesta terça-feira (2) durante a segunda fase da Operação Miragem, deflagrada pelo Gaeco de Londrina em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã, no Norte do Paraná.
O trio é suspeito de comandar um esquema milionário de venda ilegal de terrenos em loteamentos clandestinos na zona rural do município.
Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), pelo menos 62 pessoas foram vítimas da fraude, que teria movimentado mais de R$ 3,5 milhões.
Os investigados comercializavam terrenos sem qualquer autorização ambiental ou urbanística, oferecendo contratos e documentos sem validade legal.
As investigações apontam que os suspeitos implantaram irregularmente os loteamentos Recanto Água Bonita e Recanto dos Sonhos, subdividindo áreas rurais em dezenas de lotes vendidos como se estivessem totalmente regularizados.
De acordo com o promotor Jorge Barreto, os compradores eram induzidos ao erro e acreditavam estar adquirindo imóveis legalizados, quando na realidade os terrenos não atendiam às exigências da legislação municipal e ambiental.
Além da fraude, o caso ganhou contornos ainda mais graves após a descoberta de áudios encontrados nos celulares dos investigados. Nas gravações, os empresários falam sobre destruir provas da investigação, intimidar autoridades e até “sumir” com o promotor responsável pelo caso.
As apurações também revelaram suspeitas de ameaças contra fiscais municipais, monitoramento de autoridades nas redes sociais e até discussões sobre um possível atentado contra o fórum de Ibiporã para prejudicar uma audiência pública relacionada aos loteamentos ilegais.
O Ministério Público ainda investiga um esquema de lavagem de dinheiro. Mesmo após decisão judicial proibindo a continuidade das cobranças, os suspeitos teriam criado uma empresa de fachada para continuar recebendo pagamentos das vítimas por meio de transferências via Pix.
Os três investigados podem responder por associação criminosa, falsidade ideológica, fraude processual e lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento.