Polícia Condenado
Homem que planejou ataque com soda cáustica contra ex-namorada recebe mais de 23 anos de prisão
Júri reconheceu tentativa de feminicídio com agravantes; vítima sofreu queimaduras graves e ficou cerca de 30 dias internada
10/06/2026 08h04
Por: Admin Fonte: G1

Após quase dois anos de repercussão e comoção, a Justiça condenou Marlon Ferreira Lemes a 23 anos e três meses de prisão pelo ataque com soda cáustica contra a ex-namorada Isabelly Aparecida Ferreira Moro, ocorrido em maio de 2024, em Jacarezinho, no Norte do Paraná.

A sentença foi proferida na noite desta terça-feira (9), ao final do Tribunal do Júri. Os jurados reconheceram que Marlon foi o responsável por planejar o crime e o condenaram por tentativa de feminicídio, com os agravantes de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena deverá ser cumprida em regime fechado.

O caso ganhou repercussão estadual após Isabelly ser atacada enquanto caminhava para a academia. Disfarçada com peruca e roupas largas, a autora do ataque se aproximou da jovem e lançou soda cáustica contra ela, fugindo em seguida. A vítima sofreu queimaduras graves no rosto, boca, pescoço e região do tórax.

As lesões causaram intenso sofrimento físico e exigiram atendimento especializado. Isabelly permaneceu cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina, enfrentando um longo processo de recuperação.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença considerou que o ataque foi cometido de forma premeditada e cruel. Segundo as investigações do Ministério Público, o crime teria sido motivado por sentimentos de posse, vingança e ciúmes após o fim do relacionamento.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 50 mil em indenização por danos morais à vítima.

A mulher apontada como executora do ataque, Débora Aparecida Custódio Ferreira, também estava sendo julgada. No entanto, seus advogados abandonaram o Tribunal do Júri alegando falta de imparcialidade no julgamento. Com isso, o processo dela foi suspenso e uma nova data para julgamento deverá ser definida pela Justiça.

De acordo com os autos, Marlon e Débora confessaram participação no crime durante a investigação. Conforme o depoimento da acusada, o plano foi elaborado por Marlon, que teria adquirido o produto químico antes de ser preso e orientado a forma como o ataque deveria ser executado.

A condenação encerra uma das etapas mais importantes de um caso que chocou o Paraná pela violência, pela motivação e pelas graves consequências causadas à vítima.