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“Passei três dias sem água”: paranaense relata drama após 20 dias em bunker na linha de frente da guerra

Ex-bombeiro de Cascavel perdeu 10 quilos, enfrentou ataques de drones e viu companheiros morrerem em uma das regiões mais perigosas da Ucrânia.

11/06/2026 às 09h14
Por: Admin Fonte: G1 Paraná
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“Passei três dias sem água”: paranaense relata drama após 20 dias em bunker na linha de frente da guerra

O que para muitos parece cena de filme, para o paranaense Marcelo Andrade, de 37 anos, se tornou realidade. Natural de Cascavel, no Oeste do Paraná, ele passou cerca de 20 dias escondido em um bunker improvisado próximo à linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia, enfrentando fome, sede, medo e ataques constantes.

Durante a missão, Marcelo chegou a ficar três dias sem acesso à água potável e perdeu aproximadamente 10 quilos. O abrigo onde permaneceu era um simples buraco escavado no solo, coberto com madeira, lonas e terra para tentar protegê-lo dos ataques inimigos.

“É basicamente um buraco no chão. Não há luz, não há conforto. Muitas vezes nós mesmos construímos os abrigos”, relatou.

Marcelo viajou para a Ucrânia em fevereiro deste ano com a expectativa de atuar como médico de combate, aproveitando sua experiência como bombeiro da Defesa Civil do Paraná. Porém, poucas semanas após chegar ao país, foi enviado para a infantaria, uma das funções mais arriscadas da guerra.

A primeira missão aconteceu na região de Zaporíjia, considerada uma das áreas mais perigosas do conflito. Segundo ele, metade dos voluntários que realizaram treinamento ao seu lado não sobreviveu.

Além do risco constante de combate, a escassez de suprimentos tornou a sobrevivência ainda mais difícil. O abastecimento depende de drones, que frequentemente são abatidos antes de chegar aos soldados escondidos nas trincheiras.

A rotina na linha de frente é marcada pelo isolamento e pela tensão permanente. Marcelo conta que chegou a ficar cerca de 40 dias sem tomar banho e que os drones russos representam atualmente a principal ameaça aos combatentes.

Ele também presenciou a morte de amigos durante ataques aéreos não tripulados. Em um dos episódios mais marcantes, companheiros que estavam a poucos metros de distância foram localizados e atingidos por vários drones em sequência.

Mesmo diante das dificuldades extremas, Marcelo afirma que não se arrepende da decisão que tomou. No entanto, seu objetivo é retornar ao Brasil assim que encerrar o contrato de seis meses firmado com as forças ucranianas.

Enquanto aguarda uma possível transferência para uma unidade especializada em operações com drones — considerada menos exposta aos combates diretos — o paranaense permanece em uma chamada "casa segura", sem energia elétrica e com recursos limitados.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, continua provocando milhares de mortes e transformando a vida de pessoas ao redor do mundo. Entre elas, a de um brasileiro que trocou a rotina no exterior pela dura realidade de um dos conflitos mais violentos da atualidade.

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