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Juíza morreu após coleta de óvulos e passou por duas paradas cardíacas; investigação apura conduta médica

Depoimentos apontam que equipe hospitalar teria recomendado cirurgia de emergência diversas vezes antes da autorização do procedimento

13/06/2026 às 09h49
Por: Admin Fonte: Nosso Dia
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Juíza morreu após coleta de óvulos e passou por duas paradas cardíacas; investigação apura conduta médica

A investigação sobre a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, ocorrida após um procedimento de coleta de óvulos para tratamento de fertilização, revelou novos detalhes sobre as horas que antecederam seu falecimento. Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, a magistrada sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e passou por uma cirurgia na qual foram removidos um ovário e uma trompa, após um quadro grave de hemorragia interna.

Mariana realizou a coleta de óvulos na manhã de 4 de maio, em uma clínica especializada em reprodução assistida. Após receber alta, retornou para casa, mas pouco tempo depois passou a sentir fortes dores e precisou voltar à unidade médica. Diante do agravamento do quadro, ela foi encaminhada para um hospital em Mogi das Cruzes, onde deu entrada com sinais de hemorragia aguda.

De acordo com os relatos colhidos pela polícia, médicas intensivistas que acompanharam a paciente alertaram repetidamente sobre a necessidade de uma intervenção cirúrgica urgente. Elas afirmaram ter identificado indícios de acúmulo de líquido na cavidade abdominal e sinais progressivos de deterioração clínica, incluindo comprometimento renal e alterações nos sinais vitais.

Conforme os depoimentos, o ginecologista responsável pelo procedimento de coleta de óvulos sustentava a hipótese de que os sintomas estavam relacionados a uma síndrome de hiperestimulação ovariana provocada por medicamentos utilizados no tratamento, descartando inicialmente a necessidade de cirurgia.

Um médico intensivista também ouvido pela investigação relatou que a autorização para o procedimento cirúrgico ocorreu somente após a confirmação da presença de sangue na cavidade abdominal. Naquele momento, segundo ele, Mariana já apresentava quadro extremamente grave, com risco iminente de parada cardiorrespiratória.

Durante a cirurgia, realizada cerca de 28 horas após a internação, os médicos identificaram grande volume de sangue no abdômen. Foi necessária a retirada do ovário esquerdo e da trompa esquerda, além de um procedimento reconstrutivo no lado direito.

Mesmo após a intervenção, o estado de saúde da magistrada continuou crítico. Ela retornou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com pressão arterial baixa, comprometimento da oxigenação e sem produção de urina. A equipe médica avaliava a necessidade de hemodiálise, mas as condições clínicas impediam a realização do tratamento.

Na madrugada seguinte, Mariana sofreu a primeira parada cardiorrespiratória e foi reanimada após aproximadamente 30 minutos de manobras. Horas depois, sofreu uma segunda parada. Apesar dos esforços da equipe médica por cerca de 40 minutos, a juíza não resistiu e teve o óbito confirmado às 6h03.

O caso foi registrado como morte suspeita e está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo. A apuração busca esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve eventual falha na condução do atendimento médico.

Em nota, o hospital informou que a paciente recebeu atendimento imediato ao chegar à unidade e que todas as medidas necessárias foram adotadas pelas equipes multiprofissionais para tentar estabilizar seu estado de saúde. A instituição ressaltou ainda que o médico responsável pelo procedimento original foi acionado para acompanhar o caso durante a internação.

Já a defesa do ginecologista afirmou que o profissional permaneceu ao lado da equipe hospitalar durante todo o tratamento, prestando suporte e colaborando com as decisões médicas. Os advogados sustentam que ele não possuía autoridade para impedir a realização de procedimentos de emergência e argumentam que a investigação ainda depende de laudos periciais conclusivos.

A defesa também declarou que pretende apresentar novos elementos à investigação e que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso. Enquanto isso, a Polícia Civil segue reunindo documentos, laudos e depoimentos para esclarecer o que aconteceu nas horas que antecederam a morte da magistrada.

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