Polícia Justiça
Mulher é condenada a 66 anos de prisão por envenenar ovo de Páscoa que matou duas crianças e deixou mãe entre a vida e a morte
Crime planejado chocou o país; vítimas morreram após consumir chocolate contaminado enviado como presente.
23/06/2026 10h10
Por: Admin Fonte: G1

A Justiça condenou, na madrugada desta terça-feira (23), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão em regime fechado pelo envenenamento de um ovo de Páscoa que causou a morte de duas crianças e deixou a mãe delas gravemente ferida em Imperatriz, no Maranhão.

O caso, que provocou grande comoção, teve como vítimas Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13. Ambos morreram após consumirem o chocolate contaminado. A mãe das crianças, Mírian Lira, também ingeriu o produto, chegou a ficar internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas conseguiu sobreviver.

De acordo com as investigações, o ovo de Páscoa continha uma substância tóxica conhecida popularmente como "chumbinho". O doce teria sido enviado à residência da família por meio de um mototaxista, acompanhado de uma mensagem de Feliz Páscoa.

Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por ciúmes e desejo de vingança. A condenada teria mantido relacionamento com o companheiro de Mírian antes dos fatos.

As apurações apontaram que a ação foi cuidadosamente planejada. A acusada viajou para Imperatriz, utilizou identidade falsa durante sua hospedagem e organizou a entrega do presente envenenado. Durante a prisão, os investigadores encontraram objetos e materiais considerados importantes para a elucidação do caso.

Durante o julgamento, o Tribunal do Júri reconheceu a prática de duplo homicídio qualificado contra as crianças e tentativa de homicídio qualificado contra a mãe. Entre as circunstâncias agravantes consideradas pelos jurados estão o uso de veneno, a dissimulação, o motivo torpe e o fato de as vítimas serem menores de idade.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenizações por danos morais aos familiares das vítimas. A condenada permanecerá presa e não poderá recorrer da sentença em liberdade.

Em seu depoimento, Jordélia admitiu ter comprado e enviado o ovo de Páscoa, mas negou ter colocado qualquer substância tóxica no produto. A versão apresentada, no entanto, não foi acolhida pela Justiça diante das provas reunidas durante a investigação.