Uma operação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) resgatou 19 trabalhadores paraguaios que viviam em condições análogas à escravidão na região Noroeste do Paraná.
Entre as vítimas estavam dois adolescentes, o que torna o caso ainda mais grave e reforça o alerta sobre a exploração de mão de obra no campo.
Segundo as investigações, os trabalhadores foram recrutados no Paraguai por um intermediário da mesma nacionalidade e trazidos ao Brasil para atuar no arranque de mandioca, no município de Ivaté.
O transporte até o país era cobrado posteriormente, com o valor sendo descontado dos salários, prática que contribuía para manter as vítimas presas a uma dívida constante.
Os trabalhadores estavam alojados em duas residências na cidade de Tapira, onde enfrentavam condições precárias de moradia.
Dormiam em colchões espalhados pelo chão, conviviam com estrutura inadequada, alimentação limitada e ainda tinham despesas como aluguel, água e energia elétrica descontadas diretamente da remuneração, caracterizando um sistema de servidão por dívida.
As apurações também revelaram que a liberdade das vítimas era controlada. Qualquer saída das residências precisava ser comunicada ao responsável pelo recrutamento, enquanto ameaças e intimidações impediam que os trabalhadores procurassem ajuda ou denunciassem a situação às autoridades. O uso de telefones celulares também era restrito para parte do grupo.
Durante a jornada no campo, os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção individual, como botas, luvas e chapéus, nem contavam com estrutura mínima para alimentação, descanso, higiene ou abastecimento de água. Além disso, atuavam sem registro formal e sem acesso aos direitos trabalhistas garantidos por lei.
Mesmo após meses de trabalho, muitos recebiam apenas entre R$ 400 e R$ 500 por mês, já que diversos descontos eram aplicados sobre os salários. Algumas vítimas relataram que permaneciam nessas condições havia cerca de um ano.
Após o resgate, os trabalhadores foram acolhidos em uma Casa de Passagem até a conclusão dos procedimentos necessários. O retorno ao Paraguai e o pagamento dos valores acordados ocorreram na quinta-feira (9), com apoio de uma empresa do setor que, embora não tenha ligação direta com a exploração, colaborou para garantir a assistência às vítimas. Os termos do acordo permanecem sob sigilo.
O Ministério Público do Trabalho informou que as investigações continuam para identificar todos os responsáveis pelo esquema e garantir a responsabilização dos envolvidos na exploração da mão de obra dos trabalhadores paraguaios.