Um grave crime ambiental foi identificado pela Polícia Militar Ambiental no distrito de Itaiacoca, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Um fazendeiro foi autuado em mais de R$ 542 mil após destruir 36,4 hectares de vegetação nativa — uma área equivalente a mais de 50 campos de futebol — para ampliar áreas destinadas ao cultivo agrícola.
A fiscalização constatou que o desmatamento ocorreu dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP), localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Escarpa Devoniana, uma das regiões de maior relevância ecológica do estado. O responsável pela propriedade não possuía autorização ambiental para realizar qualquer intervenção na vegetação.
Durante a vistoria, os policiais identificaram a supressão de diversas espécies nativas da flora, entre elas assa-peixe, samambaias, sempre-vivas, vassourinha, flor-da-quaresma e lavoisiera, comprometendo significativamente o equilíbrio ambiental da área protegida.
Segundo a corporação, os danos foram registrados em dois pontos distintos da propriedade, totalizando 32,8 hectares em uma área e 3,6 hectares em outra. Em razão das irregularidades, foram emitidos dois autos de infração ambiental que somam R$ 542 mil em multas.
Além das sanções administrativas, o fazendeiro deverá comparecer ao Instituto Água e Terra (IAT) para apresentar um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD), documento obrigatório para restaurar a vegetação destruída. Ele também responderá criminalmente pelos danos ambientais constatados.
A legislação ambiental determina que a supressão de vegetação nativa depende de autorização prévia dos órgãos competentes, independentemente do local onde as espécies estejam. O caso reforça a atuação dos órgãos de fiscalização no combate ao desmatamento ilegal e na proteção dos remanescentes da vegetação nativa paranaense.