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Padre excomungado desafia decisão do Vaticano, divulga carta aberta e faz duras críticas à Igreja Católica
Sacerdote afirma que continuará exercendo o ministério, contesta a validade da excomunhão e acusa integrantes do alto clero de silenciar denúncias e se afastar da tradição da Igreja.
18/07/2026 10h40
Por: Admin Fonte: Nosso Dia

Um dos episódios mais delicados envolvendo a Igreja Católica nos últimos anos ganhou um novo capítulo. O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, excomungado pelo Vaticano após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), tornou pública uma carta aberta direcionada aos fiéis de Brasília, na qual faz severas críticas à condução da Igreja, questiona decisões da hierarquia católica e afirma que não reconhece a validade da excomunhão aplicada contra ele.

O documento, com oito páginas, foi divulgado poucos dias após a Santa Sé oficializar a excomunhão de integrantes da Fraternidade São Pio X, grupo tradicionalista que realizou ordenações episcopais sem autorização do papa. Para o Vaticano, a atitude caracteriza um ato de cisma, rompendo a comunhão com a Igreja Católica.

Mesmo diante da decisão, o sacerdote afirma que continuará celebrando missas e exercendo o ministério religioso. Na carta, ele sustenta que, ao longo de mais de duas décadas de sacerdócio, enfrentou conflitos internos por defender aquilo que considera os princípios da fé católica.

Entre as declarações mais contundentes, o padre afirma ter sido advertido após denunciar a realização de rituais ligados a religiões de matriz africana em espaços católicos da Arquidiocese de Brasília. Ele também menciona casos envolvendo abusos sexuais praticados por membros do clero e critica o que classifica como falta de firmeza da liderança eclesiástica diante desses episódios.

O religioso ainda relata que foi afastado de uma paróquia após divergências relacionadas à celebração da missa e afirma que sua atuação sempre esteve voltada à preservação da tradição litúrgica da Igreja.

Outro ponto de maior repercussão é a rejeição pública, por parte do sacerdote, de mudanças implementadas após o Concílio Vaticano II. Na carta, ele manifesta oposição a temas como ecumenismo, liberdade religiosa, reforma litúrgica e outras diretrizes adotadas pela Igreja nas últimas décadas, alinhando-se ao posicionamento defendido pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Em nota oficial, a Arquidiocese de Brasília reafirmou que segue integralmente as determinações da Santa Sé e informou que a situação canônica do padre permanece a mesma estabelecida pelo decreto do Vaticano. Segundo a arquidiocese, os atos ministeriais praticados pelo sacerdote são considerados ilícitos e alguns sacramentos celebrados por ele, como confissões e casamentos, não possuem validade perante a Igreja.

A Arquidiocese também orientou os fiéis a não participarem das celebrações promovidas pela Fraternidade São Pio X, alertando que a adesão formal ao grupo configura situação de cisma e excomunhão, conforme entendimento oficial da Santa Sé.

A decisão do Vaticano representa o primeiro caso de excomunhão coletiva por cisma relacionado à Fraternidade Sacerdotal São Pio X em quase quatro décadas. Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a organização mantém uma interpretação rigorosa da tradição católica e rejeita diversas reformas promovidas pela Igreja após o Concílio Vaticano II.

O episódio amplia um debate que ultrapassa os limites da religião e evidencia as tensões entre setores tradicionalistas e a atual condução da Igreja Católica. Enquanto o Vaticano mantém sua posição de ruptura formal com a Fraternidade, o padre Françoá insiste que continuará sua missão religiosa, aprofundando um conflito que repercute entre fiéis dentro e fora do Brasil.