
O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia criminal contra a mãe do adolescente de 15 anos apontado como autor do atentado a tiros que deixou duas pessoas mortas e três gravemente feridas em uma conveniência de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Estado. A ação foi protocolada pela 4ª Promotoria de Justiça da comarca e aponta que a mulher teria falhado no dever legal de proteção e vigilância sobre o filho.
Segundo a denúncia, a mulher, de 33 anos, é acusada de cometer crimes na modalidade de omissão penalmente relevante, por supostamente não adotar medidas para impedir a prática criminosa, mesmo diante de indícios de que o adolescente mantinha materiais ilícitos e de alto potencial ofensivo escondidos dentro da residência da família.
De acordo com o Ministério Público, a investigada tinha conhecimento da presença desses materiais, mas não comunicou os fatos às autoridades nem tomou providências para impedir que eles permanecessem no imóvel. Para a Promotoria, essa conduta caracteriza descumprimento do dever de cuidado inerente ao poder familiar.
Durante as buscas realizadas após o atentado, equipes da Polícia Militar encontraram diversos objetos considerados de interesse para a investigação, entre eles munições de calibre .38, cerca de 500 metros de cordel detonante, utilizado como explosivo de uso industrial, antenas de bloqueadores de sinal de radiofrequência (jammer), além de porções de maconha e uma substância semelhante ao ecstasy. A origem de todo o material ainda é investigada pela Polícia Civil.
Com base nas evidências reunidas até o momento, o Ministério Público denunciou a mulher, em tese, pelos crimes de posse irregular de munição de uso permitido, posse ilegal de artefato explosivo e desenvolvimento clandestino de atividade de telecomunicação, todos em concurso material e na modalidade omissiva.
Além da responsabilização criminal, o MPPR solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 40 mil por danos morais coletivos, valor que será analisado durante o andamento da ação penal.
O caso ganhou grande repercussão após o ataque ocorrido na noite de sexta-feira (17), quando o adolescente invadiu uma conveniência e efetuou diversos disparos. Conforme a Polícia Civil, o jovem confessou o crime e alegou ter agido por vingança em razão de conflitos envolvendo sua família ocorridos em 2024.
Enquanto o adolescente permanece apreendido por determinação da Justiça, a Polícia Civil segue aprofundando as investigações para esclarecer todas as circunstâncias do atentado, identificar a origem dos materiais apreendidos e verificar se outras pessoas tiveram participação direta ou indireta na ação criminosa que abalou Campo Mourão.
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