
A morte de uma capitã da Polícia Militar de Minas Gerais mobiliza as autoridades e causa forte repercussão. A oficial foi levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). Ao realizar o atendimento, a equipe médica constatou que a vítima apresentava diversas lesões pelo corpo, fato que levou ao imediato acionamento da Polícia Militar e ao início das investigações.
O marido da vítima, um sargento da própria corporação, foi preso em flagrante e o caso passou a ser conduzido pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias da morte.
De acordo com o boletim de ocorrência, a capitã chegou ao hospital em parada cardiorrespiratória e sem sinais vitais. Os profissionais de saúde identificaram traumatismo craniano, hematomas em diferentes partes do corpo, ferimentos nas pernas, marcas lineares compatíveis com agressões e um profundo corte na região da cabeça. A avaliação médica também indicou que a morte teria ocorrido horas antes da chegada ao hospital.
Em depoimento, o sargento afirmou que o casal havia realizado uma confraternização na noite anterior, ocasião em que teriam consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo sua versão, após a saída dos convidados, ambos mantiveram relações consensuais com práticas de dominação física.
O militar declarou ainda que, por volta do meio-dia, a esposa teria sofrido uma queda da escada da residência, provocando um corte na cabeça e outros ferimentos. Ele afirmou que prestou os primeiros socorros, controlou o sangramento, deu banho na vítima e a colocou para descansar. Ainda conforme seu relato, ela teria recusado atendimento médico. Horas depois, ao perceber que ela não respondia aos estímulos, decidiu levá-la ao hospital.
Durante o atendimento médico, outro fato chamou a atenção dos policiais. Enquanto aguardava na unidade hospitalar, o sargento pediu para utilizar o banheiro e foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira. No interior do recipiente foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy. O material foi apreendido e será submetido à perícia.
A defesa do policial informou, por meio de nota, que acompanha as investigações e afirmou que é necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento. Os advogados também destacaram confiança no devido processo legal e disseram que irão se manifestar oportunamente.
Familiares da vítima também prestaram depoimento. A mãe da capitã relatou que considerava o relacionamento da filha abusivo e marcado por controle psicológico. Segundo ela, o casal passou por diversas separações e reconciliações nos últimos anos. A mulher afirmou ainda que a filha demonstrava intenção de encerrar o relacionamento e revelou que já havia sido informada sobre um episódio anterior em que o companheiro teria a ameaçado durante uma discussão.
Durante a perícia realizada no apartamento do casal, equipes recolheram um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, que poderá ser analisado para verificar possível ligação com o caso. Também foram apreendidas roupas de cama que estavam lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar, além do veículo utilizado para transportar a vítima ao hospital, o telefone celular do sargento e os comprimidos encontrados na unidade de saúde.
O corpo da capitã foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passará por exame de necropsia. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a dinâmica dos fatos e definir as responsabilidades criminais.
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