
Os gastos da Câmara Municipal de Bom Sucesso passaram a ser alvo de questionamentos por parte de vereadores e moradores do município, após denúncias apontarem possíveis inconsistências na aplicação de recursos públicos. As dúvidas envolvem principalmente o pagamento de diárias, contratos de prestação de serviços, despesas administrativas e a forma como as prestações de contas vêm sendo apresentadas ao Poder Legislativo.
Um levantamento realizado com base em informações oficiais mostra que, entre janeiro de 2025 e 23 de julho de 2026, foram destinados R$ 225.733,02 ao pagamento de diárias para vereadores, servidores efetivos e ocupantes de cargos comissionados. Desse montante, R$ 166.205,95 foram pagos em 2025 e R$ 59.527,07 em 2026. Conforme as informações apuradas, após recomendações do Ministério Público, a concessão de diárias neste ano passou a ocorrer de forma mais restrita.
Entre os beneficiários que aparecem com maior volume de pagamentos está o presidente da Câmara, Carlos Alberto Andrade Almeida, com aproximadamente R$ 27 mil em diárias no período analisado. Os registros indicam viagens para cidades como Curitiba, Brasília, Maringá, Foz do Iguaçu e Mandaguaçu, destinadas à participação em cursos, reuniões institucionais, visitas a órgãos públicos e compromissos administrativos.
O levantamento também aponta pagamentos recentes de R$ 2.345,10 para viagens à capital paranaense, além de diárias superiores a R$ 3,5 mil destinadas à participação em eventos e compromissos oficiais, incluindo a Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília.
Além das diárias, outro ponto que vem gerando repercussão são as despesas administrativas registradas pela Câmara. Apenas no demonstrativo financeiro referente ao mês de junho de 2026, os gastos somaram R$ 201.105,43.
Entre os pagamentos registrados estão R$ 29.200,00 destinados à contratação de mão de obra terceirizada, R$ 9.576,89 para serviços de marketing e publicidade, R$ 9.566,00 com assessoria contábil e R$ 22 mil para aquisição de móveis destinados à nova sede do Legislativo. Conforme as informações levantadas, este valor seria complementar a outras compras já realizadas para a mobília, que ultrapassariam R$ 160 mil, incluindo um investimento de aproximadamente R$ 60 mil apenas em cadeiras.
As despesas também incluem gastos com materiais de expediente, internet, telefonia, gêneros alimentícios, hospedagem de site e outros serviços administrativos.
Segundo relatos encaminhados à reportagem, vereadores da própria Câmara estariam cobrando maior detalhamento das prestações de contas, incluindo informações completas sobre contratos, aditivos, compras de materiais, prestação de serviços e demais despesas públicas.
Outro dado citado nas denúncias é que o orçamento anual da Câmara teria aumentado de aproximadamente R$ 900 mil para cerca de R$ 2 milhões. Moradores também questionam a transparência das ações do Legislativo, alegando que as sessões não possuem transmissão ao vivo e que o portal oficial apresenta poucas atualizações, apesar dos gastos registrados com publicidade institucional.
Conforme as informações recebidas, uma denúncia relacionada às despesas do Legislativo já teria sido encaminhada ao Ministério Público. No entanto, até o momento, não houve confirmação oficial sobre a existência ou o conteúdo de eventual procedimento instaurado.
Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara, Carlos Alberto Andrade Almeida, afirmou que o pagamento de diárias está previsto na legislação e que os benefícios são concedidos de forma regular aos parlamentares e servidores. Ele também confirmou que o Ministério Público propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) relacionado ao tema, mas ressaltou que esse tipo de medida vem sendo adotado em diversas câmaras municipais do país.
Sobre os gastos com publicidade, o presidente declarou que os serviços são voltados às redes sociais institucionais e afirmou que o trabalho é realizado de maneira adequada. Em relação aos demais contratos questionados, informou que preferiria se manifestar posteriormente, após consulta ao departamento jurídico.
Ao final da conversa, reforçou que todas as despesas possuem documentação e podem ser comprovadas, negando qualquer irregularidade na gestão dos recursos públicos.
O caso segue repercutindo no município e poderá ter novos desdobramentos caso haja avanço nas apurações dos órgãos de controle e fiscalização. Enquanto isso, vereadores e parte da população continuam cobrando maior transparência na aplicação dos recursos da Câmara Municipal de Bom Sucesso.
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