O deputado estadual Renato Freitas (PT) denunciou a existência de um suposto grupo no aplicativo Telegram que estaria comercializando vídeos e imagens de violência atribuídas a policiais militares do Paraná. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público do Paraná (MPPR), que confirmou a instauração de um procedimento preliminar para verificar os fatos e avaliar a necessidade de uma investigação formal.
Segundo a documentação apresentada pelo parlamentar, o canal teria sido criado em abril de 2026 e utilizava um perfil no Instagram para divulgar o conteúdo e atrair assinantes. O acesso ao grupo era vendido por R$ 20 mensais e, conforme informações divulgadas pelos próprios administradores, reunia mais de 100 integrantes.
De acordo com a denúncia, o grupo compartilhava diariamente vídeos de operações policiais contendo cenas de agressões, supostas torturas e outras situações de extrema violência. O gabinete do deputado informou que chegou ao canal após monitorar o perfil utilizado para promover as assinaturas nas redes sociais.
Entre os materiais anexados à denúncia estão capturas de tela e descrições de vídeos que mostrariam pessoas sendo submetidas a maus-tratos durante abordagens policiais. Em um dos registros, um homem aparece sendo obrigado a entrar em um rio enquanto repete frases em exaltação à Polícia Militar. Em outro, a vítima seria forçada a apagar uma fogueira com o próprio corpo, enquanto recebia agressões.
Ainda conforme o material apresentado, o perfil no Instagram passou a publicar, a partir do fim de 2025, trechos desfocados das gravações com o objetivo de despertar interesse dos seguidores e direcioná-los ao grupo fechado no Telegram, onde o conteúdo completo seria disponibilizado mediante pagamento.
A denúncia também sustenta que perfis identificados como pertencentes a policiais militares interagiam frequentemente com as publicações, compartilhando conteúdos, comentando postagens e marcando outros agentes de segurança. Segundo o documento, essa interação teria contribuído para ampliar o alcance da página.
Em nota, o Ministério Público do Paraná informou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) instaurou uma Notícia de Fato, procedimento utilizado para analisar informações preliminares antes da abertura de uma investigação formal. O órgão ressaltou que a apuração está em fase inicial e corre sob sigilo.
A denúncia surge em meio a outras investigações relacionadas à atuação de policiais militares no Paraná. O documento cita operações recentes conduzidas pelo Gaeco envolvendo suspeitas de crimes como tortura, lesão corporal, fraude processual, extorsão e falsidade ideológica, além de dados que apontam aumento nas mortes registradas em ações policiais no Estado.
A Polícia Militar do Paraná foi procurada para se manifestar sobre as alegações, informar se identificou agentes eventualmente envolvidos e esclarecer se instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos. Até o momento da publicação, a corporação não havia se pronunciado. O espaço permanece aberto para manifestação oficial.