Geral Excomungado
Padre é excomungado pela Diocese de Jundiaí após adesão à Fraternidade São Pio X
Diocese afirma que sacerdote entrou em situação de cisma ao se vincular ao grupo tradicionalista; decisão também atinge a validade de atos de seu ministério
11/08/2026 10h02 Atualizada há 2 horas
Por: Admin Fonte: Nosso Dia

A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após a adesão do sacerdote à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo tradicionalista ligado a uma longa disputa com a Santa Sé.

A decisão foi comunicada oficialmente pelo bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto. Segundo a Diocese, a vinculação formal à fraternidade coloca o religioso em situação de cisma, conforme determinações atribuídas ao Vaticano.

Com a excomunhão, a Diocese afirma que os atos realizados pelo sacerdote no exercício do ministério passam a ser considerados ilícitos. A determinação também envolve os sacramentos da Penitência e do Matrimônio, que, segundo a autoridade diocesana, não possuem validade quando realizados nas circunstâncias descritas pela decisão.

Rodrigo já havia solicitado seu afastamento da Diocese de Jundiaí em fevereiro. Natural de Cajamar (SP), o religioso estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro e concluiu sua formação em Filosofia e Teologia em 2009.

No ano seguinte, foi ordenado diácono e, em 2011, recebeu a ordenação sacerdotal. Antes do afastamento, atuava como pároco da Paróquia Santo Antônio.

A reportagem não conseguiu contato com o padre Rodrigo de Oliveira Silva para obter um posicionamento sobre a decisão.

Entenda a disputa envolvendo a Fraternidade São Pio X

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e tornou-se conhecida por sua oposição a parte das mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.

Entre as principais divergências estão questões relacionadas à liturgia, à interpretação de documentos do Concílio e à relação com a autoridade do papa.

Os integrantes da fraternidade mantêm, por exemplo, a celebração da missa segundo o rito tradicional, conhecido como rito tridentino, que utiliza o latim e possui características diferentes das celebrações adotadas amplamente pela Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.

A relação entre a FSSPX e o Vaticano é marcada por décadas de conflitos. A situação se agravou após o arcebispo Marcel Lefebvre ordenar quatro bispos em 1988 sem autorização da Santa Sé, episódio que resultou em sua excomunhão e na de outros envolvidos.

A fraternidade, por sua vez, rejeita a acusação de que seus membros tenham rompido com a Igreja Católica. Em posicionamentos publicados em seus canais oficiais, o grupo sustenta que a ordenação de bispos sem autorização papal não configura necessariamente uma ruptura de comunhão quando não existe intenção de criar um cisma.

O caso do padre Rodrigo ocorre dentro desse contexto de tensão entre a estrutura oficial da Igreja Católica e a Fraternidade São Pio X, que continua defendendo posições consideradas tradicionalistas e mantém presença em diversos países.