A Rússia está promovendo uma profunda mudança na formação de seus estudantes. Com o novo ano letivo, adolescentes a partir dos 13 anos passam a ter contato mais amplo com conteúdos de treinamento militar dentro das escolas, incluindo conhecimentos sobre armas, sobrevivência em áreas de conflito e atendimento de emergência em situações de combate.
A reformulação foi determinada pelo Ministério da Educação da Rússia e amplia significativamente o espaço destinado à preparação militar dentro da disciplina “Fundamentos de Segurança e Defesa da Pátria”.
Pelo novo modelo, metade das aulas semanais da disciplina será destinada ao treinamento militar básico.
Entre os conteúdos previstos estão conhecimentos sobre metralhadoras, armas antitanque e granadas, além de disciplina militar, estrutura das Forças Armadas, minas e outros riscos explosivos.
Os estudantes também terão conteúdos relacionados à sobrevivência em zonas de conflito, primeiros socorros em campo de batalha e procedimentos diante de ameaças químicas e radioativas.
Embora conteúdos relacionados à preparação militar já estivessem presentes no sistema educacional russo, a nova reformulação amplia o treinamento e o direciona também a estudantes mais jovens.
A medida acontece enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia entra em seu quinto ano e em meio ao crescimento das iniciativas de educação patriótica promovidas pelo governo russo.
Segundo dados divulgados pela Bloomberg, uma pesquisa realizada com mais de 2,6 mil dirigentes escolares e professores apontou que 95% das escolas participantes promovem eventos relacionados à guerra na Ucrânia. Mais de 80% também recebem combatentes para conversar com os estudantes.
O investimento do governo russo nesse tipo de formação também aumentou. O orçamento federal destinado à chamada “educação patriótica” alcançou 70 bilhões de rublos em 2026, valor aproximadamente 20 vezes superior ao registrado em 2021.
A presença da formação militar nas escolas russas não é uma novidade histórica.
Durante o período da União Soviética, estudantes também recebiam treinamento militar básico, que incluía atividades como exercícios com máscaras de gás, marchas e montagem de rifles.
Décadas depois, elementos desse modelo voltam a ganhar força no sistema educacional russo, agora acompanhados de conteúdos relacionados às tecnologias e às características dos conflitos modernos.
Fora das salas de aula, programas militares voltados aos jovens também vêm crescendo no país. Crianças e adolescentes participam de atividades que simulam funções desempenhadas em conflitos, incluindo operações com drones, atendimento médico, movimentação em trincheiras e outras práticas.
A expansão dessas iniciativas ocorre em um momento em que a Rússia mantém uma extensa mobilização de recursos humanos e financeiros relacionada à guerra na Ucrânia.
Com a nova estrutura curricular, a preparação militar passa a ocupar um espaço ainda maior na rotina escolar de parte dos adolescentes russos, transformando a educação em mais uma área diretamente impactada pelo prolongamento do conflito.