Um caso envolvendo a morte de um recém-nascido mobilizou equipes de segurança e socorro na manhã de domingo, 6 de setembro, em Pitanga, na região central do Paraná.
A ocorrência foi registrada no bairro Pitanguinha, após o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) acionar a Polícia Militar por volta das 11h50. Segundo o boletim de ocorrência, os socorristas pediram apoio porque o pai da criança estaria alterado e dificultando o encaminhamento do bebê para atendimento hospitalar.
Quando os policiais chegaram ao imóvel, o recém-nascido estava no banheiro, sem roupas, sobre um pano e próximo a uma vela acesa. A equipe de socorro realizou manobras de reanimação, mas não houve resposta, e a morte foi constatada no local.
De acordo com o registro policial, o bebê apresentava sinais como coloração arroxeada da pele, extremidades frias e o cordão umbilical rompido ou dilacerado. Diante da situação, foram acionadas a Polícia Civil, a Perícia Criminal e o Instituto Médico-Legal para os procedimentos de investigação.
À polícia, o pai afirmou que suspeitava da gravidez da companheira devido ao aumento do volume abdominal, embora, segundo ele, a mulher negasse estar grávida.
O homem relatou ainda que ouviu a companheira pedir ajuda no banheiro e que a teria auxiliado até a cama. Depois, ao perceber que o volume da barriga dela havia diminuído, retornou ao banheiro e encontrou o bebê atrás do vaso sanitário.
Segundo o relato dele, a mulher teria dito que confundiu o trabalho de parto com dores abdominais e que a criança caiu já sem vida. O homem também afirmou ter chamado a própria mãe para prestar auxílio, mas, conforme o boletim, foram identificadas divergências nos horários apresentados.
A avó paterna informou aos policiais que, durante meses, teria questionado a nora sobre uma possível gravidez e que ela recusava procurar atendimento médico.
A parturiente foi levada ao hospital por uma conhecida. Posteriormente, ao ser ouvida pela equipe policial, apresentou uma versão diferente da relatada pelo companheiro.
Segundo o boletim, ela afirmou viver em situação de isolamento e restrição de liberdade impostas pelo homem e disse que teria pedido para ser levada ao hospital, mas que o companheiro teria se recusado.
Essa versão passou a ser analisada pelos investigadores diante de outros elementos verificados durante a ocorrência, entre eles a presença da mãe da mulher e a informação de que ela utilizava aplicativo de mensagens para se comunicar e solicitar transporte.
O Conselho Tutelar também informou à Polícia Militar sobre a existência de denúncias anteriores envolvendo a mulher, relacionadas a possível negligência e comportamento agressivo em relação a outros dois filhos menores.
Por determinação do delegado responsável, os celulares do casal foram apreendidos. Os dois também foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.
Agora, a investigação deverá esclarecer as circunstâncias do parto, o momento e a causa da morte do recém-nascido, além das divergências apresentadas nos depoimentos.
A apuração ficará sob responsabilidade da Polícia Civil, com apoio da Perícia Criminal e do Instituto Médico-Legal.
O caso permanece sob investigação, e as responsabilidades só poderão ser definidas após a conclusão dos trabalhos periciais e policiais.