Polícia Crime no campo
Servidor da Adapar é preso em operação contra grupo suspeito de furtar 2 mil cabeças de gado e causar prejuízo de R$ 10 milhões
Polícia Civil investiga organização que teria furtado cerca de 2 mil cabeças de gado em sete anos; servidor é suspeito de facilitar documentação para dar aparência legal aos animais
14/09/2026 18h08
Por: Admin Fonte: Tribunal do Paraná

Uma operação policial deflagrada contra um esquema de furto de gado no Noroeste do Paraná resultou na prisão de um servidor da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e no cumprimento de dezenas de medidas judiciais.

Segundo a Polícia Civil do Paraná, foram cumpridos 14 dos 17 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Durante a ação, outras sete pessoas também foram presas em flagrante.

A investigação apura a atuação de um grupo que, ao longo de aproximadamente sete anos, teria furtado cerca de 2 mil cabeças de gado em propriedades rurais da região.

O prejuízo estimado aos produtores chega a R$ 10 milhões.

Investigação começou após furto de 29 animais

O caso começou a ser investigado em agosto de 2025, depois do furto de 29 cabeças de gado de uma propriedade rural em Alto Paraná, município próximo a Paranavaí.

A partir dessa ocorrência, os investigadores passaram a identificar conexões entre suspeitos e outros casos semelhantes registrados na região.

Segundo a PCPR, as apurações revelaram uma estrutura organizada e hierarquizada, com divisão de funções entre os envolvidos.

Servidor é suspeito de atuar como facilitador

Entre os presos está um servidor da Adapar.

De acordo com a investigação, ele teria atuado como possível facilitador do grupo, auxiliando na obtenção de documentos capazes de dar aparência de legalidade à origem e ao transporte dos animais.

O delegado João Lucas Vieira Caetano afirmou que existem indícios de que os investigados recorriam ao servidor para conseguir documentação utilizada na movimentação do gado.

A participação exata dele ainda será apurada no decorrer do inquérito.

Esquema teria movimentado animais furtados

A Polícia Civil suspeita que a organização contava com uma estrutura voltada não apenas à retirada dos animais das propriedades, mas também à regularização fraudulenta e ao transporte posterior do gado.

Esse mecanismo permitiria inserir os animais furtados na cadeia comercial com aparência de origem legítima.

A investigação busca agora identificar a extensão do esquema, o destino dos animais e a participação de cada suspeito.

Adapar diz que colabora com a investigação

Em coletiva de imprensa, o chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, afirmou que a agência está colaborando com as autoridades.

Segundo ele, novas informações encaminhadas pela Polícia Civil serão analisadas para que sejam adotadas medidas administrativas e sanitárias dentro da competência do órgão.

A Adapar também poderá instaurar procedimentos internos a partir dos elementos reunidos na investigação.

Apuração continua

A operação ainda segue em andamento, e três mandados de prisão preventiva permaneciam pendentes de cumprimento.

A Polícia Civil deve aprofundar a análise de documentos, movimentações e vínculos entre os investigados para esclarecer como o grupo atuava e se há outros furtos relacionados ao mesmo esquema.

O caso é considerado de grande impacto para o setor rural do Noroeste do Paraná pelo volume de animais supostamente furtados e pelo prejuízo milionário estimado aos produtores.