A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo nesta semana.
Pesquisa Quaest divulgada no domingo (14) mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno.
Flávio aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Lula registra 40%.
Apesar da vantagem numérica do senador, os dois continuam tecnicamente empatados, já que a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro.
Mudança ocorre após semanas de aproximação
O resultado representa uma mudança importante na trajetória recente da eleição.
Na rodada anterior da Quaest, Lula e Flávio apareciam empatados com 41% cada.
Em agosto, o cenário era diferente: Lula tinha 43% e Flávio, 40%.
Com isso, o candidato do PL avançou dois pontos no intervalo, enquanto o presidente perdeu três pontos desde meados de agosto.
Embora as variações precisem ser analisadas dentro das margens de erro, a sequência dos levantamentos mostra uma disputa cada vez mais apertada.
Lula ainda lidera no primeiro turno
No cenário de primeiro turno, Lula continua na frente.
Segundo a Quaest, o presidente aparece com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%.
Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro lugar, com 7%.
A diferença mostra que, apesar da mudança no cenário de segundo turno, Lula ainda mantém vantagem na primeira etapa da disputa.
Crise no STF entra no centro da campanha
A nova rodada da pesquisa ocorre em um momento de forte tensão política provocada pela crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e as investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O episódio passou a ocupar espaço central na estratégia dos dois principais campos políticos.
Flávio Bolsonaro vem tentando associar Moraes ao governo Lula e transformar a crise institucional em argumento eleitoral contra o presidente.
Do outro lado, aliados de Lula exploram as revelações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que aparece nas investigações envolvendo Vorcaro.
As duas campanhas tentam, portanto, transferir o desgaste provocado pelo caso para o adversário.
Outras pesquisas também mostram disputa apertada
A Quaest não é o único levantamento a apontar uma eleição equilibrada.
Pesquisa Datafolha divulgada na última semana mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em eventual segundo turno, também em situação de empate técnico.
Já levantamento do instituto Palver colocou Flávio numericamente à frente, com 46%, contra 44% de Lula, novamente dentro da margem de erro.
Os diferentes resultados reforçam um cenário de forte competitividade na reta final da campanha.
Disputa regional ganha peso
Os levantamentos também mostram diferenças importantes entre regiões e grupos do eleitorado.
O Datafolha, por exemplo, aponta Lula com vantagem expressiva entre os eleitores de menor renda e no Nordeste.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, apresenta desempenho melhor nas faixas de renda mais altas e em estados importantes do Sudeste.
Em São Paulo, pesquisa Datafolha mostrou o candidato do PL numericamente à frente de Lula, enquanto Minas Gerais permanece em situação de equilíbrio.
Reta final aumenta pressão sobre as campanhas
A mudança registrada pela Quaest acontece a poucas semanas do primeiro turno e amplia a pressão sobre as estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro.
Para o presidente, o desafio é interromper a redução da vantagem observada nas últimas rodadas e recuperar eleitores em regiões mais competitivas.
Para Flávio, a tarefa será consolidar o crescimento e diminuir a distância que ainda existe no primeiro turno.
Com a disputa cada vez mais apertada e a crise institucional dominando parte do noticiário político, as próximas pesquisas terão peso ainda maior para mostrar se a vantagem numérica de Flávio representa uma tendência ou apenas uma oscilação dentro da margem de erro.