O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro já indeferiu o registro de 15 candidatos nas eleições de 2026 por entender que existem indícios de vínculos com organizações criminosas.
A maior parte dos casos envolve candidaturas à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ao todo, 11 postulantes a deputado estadual tiveram o registro barrado.
Também foram indeferidas três candidaturas a deputado federal e uma a suplente de senador.
Oito decisões ocorreram apenas na sessão desta segunda-feira (14), ampliando o número de casos julgados pela Corte eleitoral fluminense.
“Milícia de gravata” entra no centro dos julgamentos
Entre os oito registros indeferidos nesta segunda-feira, cinco foram barrados com base na tese conhecida como “milícia de gravata”.
A expressão é utilizada para se referir a grupos organizados suspeitos de praticar crimes contra a administração pública, utilizando influência política, contratos, estruturas institucionais ou relações com agentes públicos.
Nos demais casos analisados, a Justiça Eleitoral apontou suspeitas de envolvimento com milícias tradicionais, grupos que exercem domínio territorial armado sobre comunidades do Rio de Janeiro.
Outros sete candidatos já tinham sido barrados anteriormente
Antes da sessão desta segunda-feira, o TRE-RJ já havia indeferido sete outros registros de candidatura relacionados a suspeitas de envolvimento com milícias.
Com as novas decisões, o total chegou a 15.
Os casos ainda podem ser alvo de recursos nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
Tribunal fala em proteção da democracia
O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que a Corte adotará uma postura rigorosa diante de candidaturas que apresentem vínculos com organizações criminosas.
Segundo ele, o objetivo é impedir que grupos ligados ao crime organizado utilizem o processo eleitoral como caminho para alcançar estruturas formais de poder.
O desembargador também afirmou que o tribunal não terá tolerância com candidaturas associadas ao tráfico de drogas, milícias ou outras organizações criminosas.
Eleições ampliam atenção sobre infiltração criminosa
As decisões ocorrem em um momento de maior preocupação com a tentativa de organizações criminosas de ampliar influência política e institucional no Rio de Janeiro.
A Justiça Eleitoral tem analisado registros de candidatura, documentos e informações apresentadas pelo Ministério Público e por outros órgãos para avaliar eventuais impedimentos legais.
Os indeferimentos não significam, por si só, condenação criminal definitiva dos candidatos envolvidos, mas representam uma decisão da Justiça Eleitoral sobre a possibilidade de participação deles no pleito.
Com o avanço da campanha, novos julgamentos de registros ainda podem ocorrer no TRE-RJ.