Brasil Crise no Supremo
STF suspende julgamento sobre Moraes após sessão de sete horas marcada por bate-bocas e divisão entre ministros
Corte terminou a terça-feira (15) sem decidir se abre investigação contra Alexandre de Moraes; pedido de vista de Flávio Dino interrompeu análise e placar parcial ficou em 4 a 3 sobre a separação dos casos
16/09/2026 14h44
Por: Admin Fonte: The News

Depois de mais de sete horas de uma sessão marcada por fortes divergências, acusações entre ministros e discussões sobre o funcionamento interno da Corte, o Supremo Tribunal Federal encerrou a terça-feira (15) sem decidir se será aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

O julgamento foi suspenso após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo.

Com a decisão, Dino terá mais tempo para analisar os autos antes da retomada da votação. Pelo regimento do Supremo, o pedido de vista pode suspender a análise por até 90 dias.

A sessão extraordinária havia sido convocada para analisar um relatório da Polícia Federal envolvendo supostas mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Pela primeira vez, o plenário do STF discutia a possibilidade de avançar para uma investigação envolvendo diretamente um de seus próprios ministros.

Fachin abre sessão pedindo serenidade

O presidente do Supremo, Edson Fachin, abriu os trabalhos com um discurso voltado à preservação institucional da Corte.

Ele afirmou que o tribunal atravessa um período difícil e pediu que os ministros concentrassem a discussão nos fatos e nas questões jurídicas, evitando que divergências se transformassem em conflitos pessoais.

A tentativa de reduzir a tensão, no entanto, não impediu que a sessão fosse marcada por confrontos públicos ao longo do dia.

Nunes Marques e Toffoli ficam fora da votação

Antes do avanço das discussões, Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento.

O ministro afirmou que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, não se sentia confortável em participar de uma decisão que poderia produzir reflexos sobre a eleição de 2026.

Dias Toffoli, por sua vez, declarou suspeição por motivo de foro íntimo.

Com isso, os dois ficaram fora da votação.

Questão sobre rito domina sessão

Antes que o Supremo entrasse no mérito das informações envolvendo Moraes e Vorcaro, Gilmar Mendes levantou uma questão de ordem.

O ministro questionou a condução dos processos e defendeu que o caso de Moraes fosse analisado juntamente com outro procedimento envolvendo acusações relacionadas à atuação de André Mendonça no caso Master.

A discussão sobre o rito acabou dominando grande parte da sessão.

Flávio Dino também defendeu a análise conjunta e questionou a decisão de Fachin de assumir a condução do processo que estava anteriormente sob relatoria de André Mendonça.

Placar fica em 4 a 3

Antes da suspensão, o Supremo chegou a formar um placar parcial de 4 votos a 3 para manter os dois casos separados.

Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela manutenção das análises separadas.

Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam que os casos fossem julgados conjuntamente.

Flávio Dino chegou a manifestar posição favorável à união dos processos, mas como pediu vista, seu voto não foi computado no resultado provisório proclamado pela Presidência.

É importante destacar que esse placar não decidiu se haverá ou não investigação contra Moraes.

A votação tratava apenas da questão preliminar sobre a forma como os processos deveriam ser analisados.

Moraes e Mendonça trocam acusações

O clima também esquentou durante uma troca de acusações entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Moraes afirmou que teria testemunhas capazes de sustentar sua versão sobre a origem da inclusão de seu nome nas investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendonça contestou as declarações.

O episódio ampliou a tensão de uma sessão que já estava marcada por divergências sobre o andamento das apurações.

Gilmar e Mendonça protagonizam novo bate-boca

Outro momento de forte repercussão aconteceu durante uma discussão entre Gilmar Mendes e André Mendonça.

Gilmar criticou a condução das investigações e afirmou enxergar viés eleitoral em determinadas decisões.

Mendonça reagiu e classificou parte das declarações do colega como levianas.

A discussão ganhou tons ainda mais duros ao longo da sessão, com interrupções e provocações entre os ministros.

Dino pede vista e julgamento é interrompido

Foi em meio ao ambiente de forte tensão que Flávio Dino pediu vista.

O ministro também criticou a condução dos debates e defendeu que a Corte tivesse mais tempo para resolver as questões processuais antes de avançar.

O pedido suspendeu o julgamento antes que o plenário entrasse definitivamente no mérito sobre a eventual abertura de investigação contra Moraes.

O que acontece agora

Com a vista, o julgamento fica suspenso até que Flávio Dino devolva o processo.

O prazo regimental pode chegar a 90 dias.

Quando os autos retornarem, o plenário deverá primeiro concluir a discussão sobre a questão de ordem e, somente depois, avançar para o mérito relacionado às informações da Polícia Federal.

Enquanto isso, o procedimento envolvendo André Mendonça continua previsto para ser analisado separadamente em 23 de setembro, caso não haja nova alteração na pauta.

Sessão termina sem resposta sobre Moraes

Apesar de horas de discussão, o Supremo terminou o dia sem responder à principal questão que motivou a sessão: se existem elementos suficientes para autorizar uma investigação formal envolvendo Alexandre de Moraes.

A sessão acabou expondo uma divisão profunda dentro da Corte sobre o rito, a condução das investigações e a atuação dos próprios ministros.

Agora, a decisão fica adiada enquanto o STF aguarda a devolução do processo por Flávio Dino.